A IA no Figma: ferramentas de IA já fazem parte da rotina de designers e influenciam diretamente a qualidade e a velocidade dos projetos (Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket /Getty Images)
Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 15h44.
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa experimental para se tornar ferramenta central no cotidiano de designers. É o que aponta o relatório State of the Designer 2026, divulgado pela Figma, plataforma de design colaborativo, que analisou como profissionais da área estão incorporando IA aos processos criativos e ampliando seu impacto nos negócios.
Segundo o estudo, 89% dos designers afirmam que trabalham mais rápido com apoio da IA, enquanto 80% dizem que a tecnologia melhora a colaboração em equipe. Mais do que acelerar tarefas, as ferramentas automatizadas vêm alterando a percepção sobre qualidade: 91% acreditam que a IA eleva o padrão do design produzido, contrariando o temor de que a automação pudesse reduzir a personalização ou a originalidade.
O impacto vai além da eficiência operacional. Designers que utilizam IA com frequência são 25% mais propensos a se declarar satisfeitos no trabalho. Também relatam maior influência sobre resultados estratégicos e crescimento das empresas onde atuam.
A explicação é pragmática: ao automatizar tarefas repetitivas, como ajustes técnicos, prototipagem inicial e organização de fluxos, a IA libera tempo para decisões estratégicas, experimentação criativa e refinamento de experiências digitais.
O design passa a ocupar posição mais próxima do núcleo decisório das empresas.
Apesar da expansão das ferramentas automatizadas, o relatório reforça que o diferencial competitivo continua sendo humano. Para a maioria dos profissionais, excelência está ligada à intenção criativa, à sensibilidade emocional e ao cuidado com detalhes — elementos que a IA ainda não substitui.
Equipes que priorizam qualidade em design apresentam maior moral interna, crescimento mais acelerado e maior clareza estratégica. Além disso, quando o design é tratado como disciplina central, e não apenas suporte visual, os profissionais são duas vezes mais propensos a se declarar otimistas em relação ao próprio trabalho.
Outro ponto destacado é a relação entre liberdade criativa e estrutura organizacional. Segundo o levantamento, 87% dos designers afirmam que ter voz ativa melhora diretamente seu desempenho.
Ao mesmo tempo, 91% dizem que objetivos claros e expectativas bem definidas são essenciais para entregar um bom trabalho — especialmente em um ambiente onde a IA permite que profissionais de outras áreas participem mais ativamente do processo criativo.
O paradoxo é evidente: criatividade prospera quando há autonomia, mas também depende de direção estratégica.
À medida que a IA avança, o estudo sugere que o diferencial não estará apenas na adoção de ferramentas, mas na capacidade de combiná-las com competências humanas — visão criativa, empatia e pensamento estratégico.
Os designers mais preparados para o futuro serão aqueles que usam a IA como amplificadora, e não substituta, do talento humano.
O relatório completo será disponibilizado para download a partir de 12 de fevereiro e aprofunda como profissionais estão transformando incertezas tecnológicas em vantagem competitiva.