Dario Amodei, CEO da Anthropic: executivo diz que retém trabalhadores por cultura interna (Chance Yeh /Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 5 de março de 2026 às 10h05.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, disse que a empresa dona do Claude Code tem sido bem-sucedida em evitar que trabalhadores sejam recrutados por rivais do setor. Falando a investidores que participaram de uma conferência realizada pela Morgan Stanley na terça-feira, 3, Amodei reforçou como a Anthropic tem ficado majoritariamente de fora da dança das cadeiras promovidas por líderes da tecnologia.
Ele destacou como os funcionários contatados pela Meta optaram por permanecer na empresa do Claude apesar dos pagamentos de US$ 100 milhões oferecidos por Mark Zuckerberg. Amodei já havia comentado sobre a permanência dos trabalhadores mesmo sem renegociações salariais; agora, ele disse que consegue reter funcionários graças a uma "missão" que a Anthropic tem.
Em entrevista recente ao Big Technology Podcast, Amodei disse que os trabalhadores da empresa liderada por ele não queriam nem conversar com Zuckerberg para analisar possíveis ofertas de emprego. "Acho que o que eles estão fazendo é tentar comprar algo que não pode ser comprado, que é o alinhamento com a missão", declarou o executivo, que disse que aumentar salários para evitar saídas seria prejudicial para a cultura da empresa.
“A única maneira de você realmente ser prejudicado por isso é se permitir que isso destrua a cultura da sua empresa, entrando em pânico, tratando as pessoas injustamente, na tentativa de defender a empresa", comentou, dizendo que os trabalhadores são promovidos de forma sistemática e justa para o coletivo.
De acordo com ele, apenas dois funcionários da empresa saíram diretamente para a Meta após serem recrutados. Durante a conversa, o executivo destacou os planos da companhia de IA para o desenvolvimento de áreas como saúde como diferenciais da cultura interna. Ao ser questionado sobre a declaração feita para negar a adesão ao contrato proposto pelo Pentágono, porém, ele optou por não comentar.
A disputa por especialistas do setor entre as maiores empresas faz parte de uma estratégia mais ampla das big techs para dominar o desenvolvimento de sistemas avançados de IA. OpenAI, Meta, Apple e Anthropic têm ampliado investimentos em centros de pesquisa e em capacidade de processamento, elemento essencial para o treinamento de modelos de larga escala, conhecidos como large language models, modelos de linguagem de grande porte.
Entre os profissionais recrutados pela Meta a partir de um investimento de reforço de US$ 78,4 bilhões para expansão do setor, estavam Trapit Bansal, Huiwen Chang e Ji Lin — todos com histórico em pesquisa avançada de IA companhias rivais.
Ao mesmo tempo, a rotatividade de lideranças expõe um mercado ainda em formação, no qual remuneração, acesso a dados e liberdade de pesquisa se tornaram variáveis centrais para atrair cientistas. Mais recentemente, a OpenAI contratou Ruoming Pang, responsável por desenvolver alguns dos principais produtos de IA para a Apple antes de se tornar funcionário da Meta