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Grandes bancos buscam repassar risco de dívidas bilionárias ligadas a data centers de IA

Empréstimos para acelerar construção de data centers ao redor do mundo fazem bancos explorar novas estratégias para segurança financeira

Data center: instalações têm preocupado bancos que apoiam empresas com empréstimos bilionários (Freepik)

Data center: instalações têm preocupado bancos que apoiam empresas com empréstimos bilionários (Freepik)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 4 de maio de 2026 às 14h42.

A corrida para construir infraestrutura de inteligência artificial está pressionando os limites de financiamento dos maiores bancos globais. Agora, eles buscam maneiras de redistribuir esse risco para outros investidores.

Segundo o Financial Times, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e SMBC estão ativamente buscando distribuir partes de operações ligadas a data centers a coletivos maiores de investidores. A ideia é conseguir liberar espaço em balanço e possibilitar novos empréstimos. Os bancos exploram vendas privadas de fatias de dívida e o uso de instrumentos chamados de "Significant Risk Transfer" (SRT) para reduzir a exposição a grandes tomadores individuais.

A escala do problema é concreta. Instituições como JPMorgan e MUFG passaram mais de 6 meses tentando distribuir o valor de US$ 38 bilhões em dívida de construção dos data centers da Oracle no Texas e em Wisconsin. "Os tamanhos dos quais estamos falando estão fora de escala com tudo que já vimos. Os bancos começam a sufocar muito rapidamente", disse Matthew Moniot, co-responsável por compartilhamento de risco de crédito do Man Group, ao FT.

O que são SRTs

Os SRTs, instrumentos até então mais comuns entre bancos europeus, funcionam como uma espécie de seguro contra perdas: permitem que os bancos transfiram exposição a crédito, administrem índices de capital e criem capacidade adicional no balanço, vendendo notas ligadas a crédito para investidores institucionais. No caso dos data centers, porém, a estrutura é mais complexa. Diferentemente dos SRTs tradicionais, as operações ligadas a data centers têm poucos operadores, concentração extremamente alta e risco de construção significativo; isso leva investidores a exigir prêmios maiores.

“Ao contrário de um SRT tradicional, há um número limitado de operadores, é extremamente concentrado e existe um risco significativo de construção", opinou o gerente de portfólio Frank Benhamou, da Cheyne Capital, ao FT.

Risco aumenta conforme empresas avançam com iniciativas de trilhões de dólares

O pano de fundo é o tamanho sem precedente da dívida que sustenta o boom de IA. Uma análise por estrategistas do Morgan Stanley aponta que as maiores empresas do setor podem gastar US$ 3 trilhões em infraestrutura de data centers até 2028. Entretanto, o fluxo de caixa atual das empresas é capaz de cobrir apenas metade do valor projetado; o restante seria direcionado para captação no mercado de dívida. Ao mesmo tempo, o JPMorgan projeta mais de US$ 5 trilhões com a geração de energia necessária para alimentação das instalações é incluída na conta de desenvolvimento do setor. 

O risco já aparece em mercados de crédito. O custo de proteção contra uma possível inadimplência da Oracle, uma das maiores tomadoras de empréstimos para data centers, atingiu máximas de 3 anos, com os bancos credores apontados como um dos principais fatores por trás do movimento. A CoreWeave também solicitou empréstimos na casa das centenas de bilhões de dólares para ampliar sua operação de infraestrutura física para o mercado de IA, com crescimento que preocupa bancos investidores.

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