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Apple bloqueia apps de vibe coding e startups reclamam de regras inconsistentes

Aplicativos de vibe coding criticam banimento da App Store ao passo em que Apple integra tecnologia de IA ao próprio sistema interno

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 4 de maio de 2026 às 14h43.

A ascensão das ferramentas de inteligência artificial que permitem criar software por comandos em linguagem natural, prática conhecida como "vibe coding", está provocando um atrito crescente com a Apple. Startups e investidores acusam a empresa de aplicar as regras da App Store erroneamente diante dessa nova categoria de aplicativos.

Entre os afetados estão Replit e Vibecode, que tiveram seus serviços bloqueados na loja, e Anything. app que foi removido duas vezes do ecossistema digital da App Store. A Replit, avaliada em US$ 9 bilhões e apoiada pela Andreessen Horowitz, disse estar "surpresa e desapontada" com a decisão, ressaltando que o aplicativo está na App Store desde 2022. Ainda conforme a empresa, as funcionalidades do app hoje contestadas já foram aprovadas mais de 100 vezes e foram aprovadas pela Apple mais de 100 vezes.

O ponto central da disputa é uma regra antiga da App Store que proíbe apps de baixar ou executar código que altere seu próprio funcionamento. É uma medida que a Apple diz existir para impedir a execução de software não verificado em iPhones. A Anything tentou contornar o problema modificando o app para que os projetos gerados fossem visualizados em um navegador externo, em vez de dentro do próprio app. A Apple rejeitou a atualização e removeu o app mesmo assim, alegando que ele não poderia se apresentar como uma ferramenta para criar outros apps.

O fundador da Anything, Dhruv Amin, resumiu a frustração: "Estamos no escuro. Ou eles deveriam parar de aplicar as regras dessa maneira estranha, ou deveriam atualizar as diretrizes para permitir que esse caso de uso se desenvolva."

Apple mantém decisão com segurança como justificativa

A Apple nega qualquer inconsistência e afirma que o processo de revisão existe para proteger privacidade e segurança dos usuários. Mas o momento em que tudo ocorre tem gerado questionamentos. Em fevereiro, semanas após bloquear atualizações do Replit, a empresa adicionou ferramentas de IA da OpenAI e da Anthropic ao seu próprio ambiente de desenvolvimento, o Xcode. A empresa também permite o uso de tecnologia similar ao que o Replit apresenta em redes sociais como Facebook Xmas permanece com a decisão de proibir o mesmo para startups.

O setor de vibe coding cresce em ritmo acelerado. As submissões à App Store saltaram 84% em um único trimestre impulsionadas por ferramentas de criação com IA. Empresas como Cursor, Lovable e Replit estão entre as de crescimento mais rápido da indústria de tecnologia, com a Cursor avaliada em US$ 29,3 bilhões e a Replit mirando US$ 1 bilhão em receita para 2026.

Para os críticos, a postura da Apple vai além da segurança. Conforme disse um porta-voz da Big Tech ao The Information, apps de vibe coding representam uma "possível ameaça ao modelo de negócios da empresa ao ajudar desenvolvedores a criar aplicativos web que não passam pela App Store uma fonte central de receita e lucros para a companhia". David George, sócio da Andreessen Horowitz, disse ao FT que frear esses apps "sob o pretexto da segurança" arrisca sufocar inovação e concorrência.

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