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França abandona Palantir e reforça aposta em IA própria

Decisão foi anunciada após os EUA restringirem o acesso internacional a ferramentas avançadas de IA

Publicado em 16 de junho de 2026 às 08h54.

A França deixará de usar os serviços da empresa americana de inteligência artificial e análise de dados Palantir Technologies em suas agências de inteligência, anunciou nesta terça-feira, 16, o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu.

A medida faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos em áreas consideradas estratégicas.

Segundo Lecornu, os serviços de inteligência franceses encerrarão o contrato com a Palantir e passarão a investir em soluções nacionais. O governo também anunciou um pacote de 655 milhões de euros (cerca de R$ 3,85 bilhões) para acelerar o desenvolvimento de inteligência artificial no país.

Leia na íntegra a nota do primeiro-ministro francês

"Tal como a eletricidade ontem, tal como a internet há trinta anos, a inteligência artificial já está a mudar as nossas vidas. O tempo de experimentação acabou.

Decidi acelerar a transformação do Estado:

  • um assistente conversacional soberano comum para todos os agentes públicos; 
  • um assistente de saúde pública em Ameli até o final do ano; 
  • uma nova plataforma para facilitar o acesso a dados públicos;
  • 655 milhões de euros adicionais investidos em inteligência artificial através do programa França 2030.

Podemos passar por esta revolução. Ou podemos dirigi-lo. A França escolheu. Ela estará presente nesta revolução e pretende desempenhar plenamente o seu papel nela."

Decisão ocorre após restrição dos EUA

A mudança acontece poucos dias após o governo americano restringir o acesso internacional ao modelo Fable, desenvolvido pela Anthropic.

Para Lecornu, o episódio reforçou a necessidade de autonomia tecnológica europeia.

“Não podemos aceitar novas dependências estratégicas no campo digital”, afirmou o premiê em vídeo divulgado nas redes sociais.

Segundo ele, a França não deve depender da “boa vontade” de parceiros estrangeiros para acessar tecnologias consideradas essenciais.

A decisão reflete um movimento mais amplo dentro da Europa para reduzir a dependência de empresas americanas em setores como defesa, inteligência artificial e infraestrutura digital.

Nos últimos meses, governos europeus passaram a discutir com mais intensidade a necessidade de desenvolver tecnologias próprias diante das incertezas sobre a política externa dos Estados Unidos e do crescente uso da IA em áreas de segurança nacional.

*Com AFP

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