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Tang Jie: cofundador da Zhipu AI e referência científica por trás dos modelos chineses de IA da série GLM (Reprodução/X/Fundo gerado por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 15h59.
Antes de fundar uma das maiores empresas de inteligência artificial da China, Tang Jie passava os dias como professor na Universidade Tsinghua, à frente de um dos laboratórios mais respeitados do país em engenharia de conhecimento.
Em 2019, ele e a colega Li Juanzi, também professora da instituição, transformaram o próprio grupo de pesquisa em empresa. Nasceu assim a Zhipu AI, hoje batizada internacionalmente de Z.ai.
Em 8 de janeiro deste ano, a companhia se tornou a primeira desenvolvedora de modelos de linguagem do mundo a abrir capital, com listagem na Bolsa de Hong Kong sob o código 2513. O valor de mercado na estreia superou HK$ 52 bilhões, cerca de US$ 6,6 bilhões.
A dupla vinha do Grupo de Engenharia de Conhecimento da universidade — Xi Jinping, presidente do país, é ex-aluno da instituição, uma das mais prestigiadas da China.
Para tocar a operação comercial, os dois trouxeram Zhang Peng, também formado pela Tsinghua, para o cargo de presidente-executivo. Zhang havia atuado por anos como contraparte de engenharia da dupla, responsável por transformar os protótipos acadêmicos em produto funcional.
Como um modelo de IA chinês salvou a Hugging Face de um ataque do ChatGPTZhang relata que o processo de aprovação levou cerca de 18 meses a partir de 2017, e que a Zhipu foi uma das primeiras a usar uma política estatal de 2018 que permitia a pesquisadores universitários comercializar tecnologia sem deixar o cargo acadêmico.
Antes da abertura de capital, a empresa havia levantado mais de US$ 1,2 bilhão com investidores como Alibaba, Tencent, Meituan, Xiaomi e a saudita Prosperity7 Ventures.
A comparação com a Anthropic vem da estratégia declarada pela empresa: ela se descreve como um laboratório de inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês), não como simples desenvolvedora de produto.
"Não importa quanto dinheiro levantemos ou quanto lucremos, isso será um obstáculo no nosso caminho para a AGI", diz um lema interno atribuído a Zhang, hoje a voz pública mais frequente da companhia.
Em dezembro do ano passado, ele afirmou que 2024 seria o primeiro ano da AGI.
A meta declarada é o que a empresa chama de modelo de nível Mythos — referência ao modelo mais avançado da própria Anthropic — até o início de 2027.
Até meados de 2025, a série de modelos GLM já atendia mais de 12.000 clientes corporativos e 45 milhões de desenvolvedores no mundo. Nove das dez maiores empresas de internet da China adotaram os serviços da companhia.
Em 2024, a Zhipu ficou em segundo lugar entre as desenvolvedoras chinesas de modelos de propósito geral em participação de mercado — e em primeiro entre as independentes, sem vínculo com as grandes plataformas.
A empresa soma mais de 800 funcionários, dos quais entre 60% e 70% dedicados a pesquisa e desenvolvimento. Tang Jie segue como a principal referência científica da companhia.
O modelo de negócio é business-to-business e foca em vender soluções de IA diretamente a outras empresas. Zhang projetava ponto de equilíbrio financeiro entre 2026 e 2027, mas reconhece que o prazo pode mudar com o custo crescente de computação e o acirramento da concorrência.
A Zhipu — hoje Z.ai — disputa espaço com DeepSeek e Moonshot AI entre os laboratórios chineses mais citados no cenário global.
Em junho, lançou o GLM-5.2, com janela de contexto de 1 milhão de tokens, cinco vezes maior que a do modelo anterior — o suficiente para processar bases de código inteiras em uma única passagem, sem fragmentação.
Segundo a consultoria IDC, a companhia é a terceira maior entre as desenvolvedoras de grandes modelos de linguagem no mercado chinês.