Inteligência Artificial

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Crédito para quem sempre ficou de fora: como a IA está ampliando o acesso a empréstimos

Bancos e fintechs passaram a utilizar inteligência artificial e dados alternativos para analisar clientes sem histórico bancário tradicional, ampliando o acesso ao crédito sem abandonar critérios de segurança

A inteligência artificial permite que bancos e fintechs analisem novos perfis de clientes e ampliem o acesso ao crédito. (Think Panama/Creative Commons)

A inteligência artificial permite que bancos e fintechs analisem novos perfis de clientes e ampliem o acesso ao crédito. (Think Panama/Creative Commons)

Publicado em 16 de julho de 2026 às 07h03.

Ter um bom histórico financeiro nem sempre foi suficiente para conseguir um empréstimo.Para milhões de brasileiros, porém, o obstáculo sempre começou antes. Sem nunca ter contratado um financiamento, utilizado cartão de crédito ou mantido um relacionamento bancário consistente, essas pessoas simplesmente não conseguiam construir um histórico financeiro.

Sem informações suficientes para avaliar o risco da operação, muitas instituições optavam por negar o crédito. Na prática, quem nunca teve acesso ao sistema financeiro encontrava ainda mais dificuldade para entrar nele, criando um ciclo de exclusão.

Esse cenário começou a mudar com o avanço da inteligência artificial. Em vez de depender apenas dos critérios tradicionais, bancos e fintechs passaram a utilizar modelos capazes de analisar diferentes fontes de informação para estimar o risco de inadimplência.

Com isso, pessoas físicas e pequenos empreendedores que antes eram considerados "invisíveis" para o mercado passaram a ter mais chances de acessar linhas de crédito.

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Como a IA avalia quem não tem histórico bancário

Tradicionalmente, instituições financeiras baseavam suas análises em informações como histórico de financiamentos, uso do cartão de crédito, empréstimos anteriores e relacionamento com bancos.

Os modelos baseados em inteligência artificial ampliam essa análise ao combinar centenas de variáveis.

Dependendo da instituição e das regras de privacidade, podem ser considerados dados como movimentação financeira, comportamento de pagamento de contas, faturamento de pequenos negócios, fluxo de caixa, informações cadastrais e outros indicadores capazes de demonstrar capacidade financeira.

A IA  identifica padrões que dificilmente seriam percebidos por uma análise convencional, permitindo construir uma avaliação mais completa sobre o perfil do solicitante.

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Pequenos negócios também são beneficiados

O impacto não se limita às pessoas físicas. Micro e pequenas empresas, que muitas vezes possuem pouco tempo de operação ou documentação financeira limitada, também passaram a ser avaliadas por modelos mais sofisticados.

Em vez de considerar apenas garantias tradicionais, algumas instituições conseguem analisar dados operacionais do negócio para estimar sua capacidade de pagamento.

Na prática, isso reduz barreiras para empreendedores que antes tinham dificuldade para acessar capital de giro ou linhas de financiamento.

IA não significa aprovação automática

Apesar dos avanços, a inteligência artificial não substitui completamente a análise de crédito. Os modelos produzem estimativas de risco que ajudam as instituições na tomada de decisão, mas continuam sujeitos às políticas internas de cada banco ou fintech.

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Além disso, fatores como renda, documentação e condições da operação continuam influenciando a aprovação. Outro ponto importante é que um modelo de IA não pode discriminar clientes ou tomar decisões baseadas em critérios inadequados.

À medida que essas ferramentas se tornam mais sofisticadas, cresce também a preocupação com transparência e justiça nas análises.

Especialistas defendem que modelos de IA utilizados para concessão de crédito sejam constantemente monitorados para evitar vieses que possam prejudicar determinados grupos de consumidores. Também é fundamental que o tratamento dos dados esteja em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e com as normas do sistema financeiro.

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