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Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 11h39.
Nos últimos anos, a construção de data centers tem promovido uma mudança econômica e social significativa em várias cidades pequenas dos Estados Unidos. Nesses locais, empresas de tecnologia como a Amazon estão investindo pesadamente na construção de grandes instalações, com o objetivo de armazenar e processar dados para atender à crescente demanda por computação em nuvem e inteligência artificial.
Assim, esse movimento tem transformado regiões antes afastadas das grandes economias já digitalizadas. Com os bilhões injetados para construir data centers em cidades como Umatilla, no estado de Oregon, e outras localidades em Texas, Dakota do Norte e Michigan, moradores e governantes estão vendo uma mudança drástica em suas economias locais.
A instalação de data centers tem gerado investimentos significativos em infraestrutura, criado novos empregos e aumentado a demanda por imóveis. Em muitas dessas áreas, os preços das casas dispararam, novas áreas residenciais estão sendo construídas e as pequenas empresas locais têm se beneficiado do aumento da demanda por serviços, como construção e fornecimento de materiais.
No primeiro semestre de 2025, os investimentos em data centers sustentaram quase a totalidade do crescimento do PIB dos EUA, que teria aumentado apenas 0,1% sem esses gastos. Segundo o Wall Street Journal, os investimentos anuais nessas instalações já somam US$ 41 bilhões, mas a distribuição desses investimentos não tem sido uniforme. O Goldman Sachs estima que 72% da capacidade dos servidores está concentrada em apenas 33 condados – 1% do total.
Nesse cenário, além dos gastos para construir as instalações, as grandes corporações que operam os data centers estão investindo em treinamento e desenvolvimento local. Com isso, muitos trabalhadores dessas regiões, antes limitados a empregos no setor agrícola ou em fábricas, agora estão sendo capacitados para funções técnicas e de manutenção, como eletricistas e operadores de servidores. Isso também tem ajudado a criar uma nova classe média em cidades que antes eram fortemente dependentes de setores tradicionais.
No entanto, esse crescimento rápido também traz desafios. A alta demanda por moradia, eletricidade e serviços, como assistência infantil e saúde, tem gerado pressões sobre a infraestrutura local. Além disso, o custo de vida aumentou, colocando dificuldades para famílias da classe trabalhadora.
Algumas cidades enfrentam, ainda, tensões políticas sobre como gerenciar o enorme fluxo de receitas gerado pelos acordos de construção, que muitas vezes são acompanhados de benefícios fiscais para as empresas.
Para os moradores mais antigos, a experiência de viver em uma cidade pequena foi transformada. A pacata vida do interior agora divide espaço com grandes data centers para sustentar a corrida pela IA mais avançada do mundo.