Inteligência Artificial

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Como a inteligência artificial vai mudar tudo na Copa do Mundo — dentro e fora de campo

Sistemas de IA vão apoiar técnicos, árbitros, emissoras e redações durante o maior Mundial da história

 (Imagem gerada por IA/Exame)

(Imagem gerada por IA/Exame)

Publicado em 9 de junho de 2026 às 07h05.

Em algum momento da Copa do Mundo que começa na quinta-feira, 11, um treinador vai olhar para uma tela no banco de reservas, ver um alerta sobre o nível de fadiga muscular de um jogador e decidir fazer uma substituição antes que a lesão aconteça.

No mesmo instante, um torcedor em São Paulo vai escolher a câmera do goleiro adversário enquanto outro, em Tóquio, assiste ao mesmo jogo com narração em japonês gerada automaticamente.

E um árbitro, a 30 metros do lance, vai esperar três segundos enquanto um sistema de visão computacional confirma ou descarta o impedimento.

Nenhuma dessas coisas é ficção. Todas vão acontecer nesta Copa.

"Usar a tecnologia para otimizar processos, apoiar decisões e enriquecer a experiência, sem alterar regras ou interferir diretamente na essência do jogo, é um avanço importante", diz Alexandre Rangel, sócio da TGT ISG, consultoria especializada em tecnologia e indústria esportiva. "Ainda existem muitos desafios — mas a direção é consistente."

O que muda dentro de campo

A bola oficial da Copa, a Trionda, tem sensores avançados que coletam dados de velocidade, trajetória e rotação a cada toque.

A Fifa, em parceria com a Lenovo, vai usar esses dados no sistema Football AI Pro para gerar análises detalhadas sobre o rendimento das equipes em tempo real.

A mesma parceria vai criar avatares tridimensionais dos atletas a partir de dados de rastreamento captados em tempo real nos estádios, transformando estatísticas complexas em representações visuais acessíveis para comissões técnicas e torcedores.

Na arbitragem, a visão computacional já automatiza decisões objetivas como impedimentos e bola na linha.

"O avanço dessas ferramentas reduz erros, acelera revisões e aumenta a consistência das decisões arbitrais, preservando maior fluidez ao jogo", diz Rangel.

Nos vestiários, seleções usam IA para analisar adversários, monitorar desempenho físico, prever lesões e identificar padrões táticos.

"A decisão final continua sendo humana, mas a tecnologia amplia a qualidade e a velocidade da análise disponível para as comissões técnicas", diz Rangel.

O que muda na transmissão

Para quem assiste em casa, a Copa de 2026 também será diferente.

A IA atua como uma diretora digital — automatizando câmeras, selecionando os melhores ângulos de replay e gerando estatísticas em tempo real. A tendência mais relevante para o torcedor é a personalização.

"A tendência é que cada torcedor passe a consumir uma versão única e adaptada da mesma partida", diz Rangel. Durante o jogo, o celular se transforma em uma segunda tela com alertas personalizados, estatísticas sob demanda e experiências em realidade aumentada.

Para as emissoras, o impacto é financeiro. "Uma única partida pode gerar centenas de conteúdos personalizados, ampliando o inventário publicitário e as receitas para ligas e detentores dos direitos", diz Rangel.

Empresas como Amazon, Apple e Google chegam a essa Copa com vantagem competitiva por integrarem transmissão, dados, publicidade e comércio eletrônico em uma única plataforma. "Seu diferencial não está apenas na exibição dos jogos, mas na capacidade de monetizar toda a jornada digital do torcedor", diz Rangel.

O que muda nas redações

Redações esportivas já utilizam IA para gerar textos, estatísticas, gráficos e clipes em tempo real.

Ferramentas identificam os momentos mais relevantes de uma partida, editam vídeos, inserem legendas e publicam resumos poucos minutos após o apito final. Mas Rangel alerta para o limite da automação.

"O excesso de automação pode comprometer a emoção e a narrativa que tornam o esporte atrativo. O melhor modelo combina IA para tarefas operacionais e profissionais humanos para interpretação, criatividade e conexão emocional com o público."

Na prática, isso significa o que ele chama de "human-in-the-loop": a IA produz rascunhos, transcrições e pesquisas preliminares enquanto profissionais validam informações e definem o tom editorial. "Isso combina produtividade com confiabilidade", diz Rangel.

Os riscos que ninguém quer ver

Grandes eventos esportivos estão cada vez mais expostos a conteúdos falsos gerados por IA, capazes de influenciar opinião pública, reputações e mercados de apostas.

Entidades esportivas e emissoras estão adotando autenticação digital e sistemas de monitoramento em tempo real para identificar conteúdos manipulados. "A tendência é utilizar IA tanto para criar quanto para proteger conteúdos", diz Rangel.

A Copa de 2026 será disputada por 48 seleções em 104 partidas, em três países. É o maior torneio da história do futebol — e o primeiro em que a inteligência artificial vai jogar junto, em campo, nas transmissões e nas redações. O jogo continua sendo humano. Tudo ao redor dele, cada vez menos.

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