Colaboradora
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 10h10.
A inteligência artificial começa a ocupar um espaço cada vez mais concreto na rotina da construção civil. Não como vitrine tecnológica, mas como resposta prática a um setor pressionado por prazos curtos, margens apertadas e escassez de mão de obra qualificada. A digitalização que levou décadas para chegar aos canteiros agora avança em ritmo acelerado, impulsionada pela necessidade de ganhar eficiência e preservar conhecimento técnico.
Ferramentas baseadas em IA já são usadas para tarefas que vão do trivial ao crítico: organizar grandes volumes de documentos, priorizar atividades, cruzar dados de projetos e até simular riscos estruturais ou de segurança.
O principal ganho, segundo profissionais do setor, não está apenas na automação, mas na capacidade de sintetizar rapidamente informações que antes exigiam horas, ou dias, de análise técnica, apoiando decisões estratégicas com mais precisão.
Empresas do setor passaram a alimentar esses sistemas com normas internas, históricos de obras e protocolos de segurança, transformando conhecimento acumulado ao longo de décadas em bases digitais acessíveis em tempo real. Em vez de substituir engenheiros e gestores experientes, a IA tem sido usada como um mecanismo de transmissão de saber — uma ponte entre gerações dentro de um setor tradicionalmente resistente a mudanças.
Há, também, aqueles que optaram por IA para encontrar profissionais que possam estar com dificuldades e direcioná-los a vagas com rapidez. A indústria não tem sido atrativa aos mais jovens e a expectativa levantada pelo National Center for Construction Research and Education é que 41% dos trabalhadores dos EUA estejam aposentados até 2031, o que já tem sido um problema para o ritmo de entrega de construções em diversos países.
No Brasil, inclusive, 2025 registrou um aumento generalizado nas compras de materiais de acabamento desde 2023. Analistas locais apontaram que tendências de modernização e obras mais curtas também já estão em vigor no país, ainda que a ausência de rejuvenescimento do mercado seja um problema que tem afetado a formação de novos líderes.
Assim, a resistência de quem se profissionalizou com o papel e a caneta está sendo rapidamente desmanchada para dar lugar a uma indústria com necessidades cada vez mais imediatas.
A International Data Corporation (IDC) analisou que 60% das grandes empresas de construção já implementaram, de alguma forma, IA em suas rotinas em processo de digitalização de conhecimento.