Patrocinado por:
47% dos profissionais passam mais tempo orientando IA. Como ‘fugir’ dessa estatística (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 13h40.
A inteligência artificial está mudando não apenas as tarefas executadas no trabalho, mas também o papel de quem utiliza essas ferramentas. Um levantamento do Boston Consulting Group (BCG) mostra que 47% dos profissionais passam mais tempo gerenciando e orientando sistemas de IA do que realizando as próprias tarefas.
O dado faz parte da pesquisa AI at Work 2026, que ouviu 11.749 funcionários, gestores e líderes em 14 mercados, incluindo o Brasil. O estudo aponta que a adoção da tecnologia avançou mais rapidamente do que a transformação dos processos dentro das empresas.
Para quem trabalha, isso significa uma mudança importante: saber utilizar uma ferramenta de IA não é necessariamente suficiente. É preciso definir o que ela deve fazer, fornecer contexto, avaliar as respostas e corrigir eventuais erros.
O levantamento mostra que a inteligência artificial está assumindo parte das atividades mais simples, enquanto os profissionais ficam responsáveis por tarefas que exigem maior avaliação.
Um jornalista, por exemplo, pode usar IA para organizar documentos, resumir entrevistas ou identificar informações em grandes volumes de dados. Ainda cabe ao profissional determinar os critérios, verificar os resultados e decidir o que pode ser utilizado.
O mesmo princípio vale para outras áreas. Um analista financeiro pode pedir à ferramenta que organize dados, enquanto um profissional de marketing pode utilizá-la para gerar versões de uma campanha. A decisão final continua dependendo do contexto e da avaliação humana.
Esse processo ajuda a explicar por que orientar uma IA pode consumir uma parcela significativa do expediente. A interação envolve instrução, revisão, comparação de resultados e correção.
A pesquisa do BCG identifica uma aparente contradição na experiência dos trabalhadores. Entre os usuários regulares, 67% afirmam que a IA melhorou sua satisfação com o trabalho. Ao mesmo tempo, 41% relatam aumento da carga cognitiva.
Isso ocorre porque produzir algo mais rapidamente não elimina necessariamente a necessidade de analisar o resultado. Se uma ferramenta permite gerar mais relatórios, textos, análises ou propostas em menos tempo, o profissional também pode ter mais material para revisar.
A tecnologia, portanto, pode deslocar o esforço de uma etapa para outra. Em vez de executar uma tarefa manualmente, o trabalhador passa a orientar e revisar sistemas que realizam parte da execução.
Outro dado chama atenção para a relação entre produtividade e organização do trabalho. Entre funcionários que não ocupam cargos de gestão e utilizam IA regularmente, 42% dizem economizar pelo menos oito horas por semana, o equivalente a um dia de trabalho.
O problema é que 66% afirmam receber pouca ou nenhuma orientação sobre como utilizar esse tempo economizado. Mais da metade também não direciona as horas liberadas para atividades consideradas mais estratégicas.
Isso indica que ganhar tempo com uma ferramenta não garante, por si só, uma mudança de produtividade. Para que as horas economizadas tenham impacto, é necessário definir quais atividades passam a ocupar esse espaço.
A pesquisa também aponta que 72% dos entrevistados consideram que a IA já mudou significativamente as expectativas de habilidades em seus cargos. Entre profissionais da linha de frente, 74% são usuários regulares da tecnologia, segundo o BCG.
Para o profissional, a mudança aumenta a importância de competências que vão além do domínio de uma ferramenta específica. Entre elas estão:
O conhecimento técnico da profissão continua relevante justamente porque a IA precisa ser supervisionada por alguém capaz de avaliar sua produção.
Para quem já utiliza essas ferramentas, uma forma prática de avaliar o impacto da tecnologia é observar qual etapa do trabalho mudou.
Em vez de medir apenas quantas vezes uma IA foi utilizada, vale comparar o processo antes e depois da adoção da ferramenta. Perguntas como estas ajudam:
O objetivo é evitar que a tecnologia apenas aumente o volume de tarefas. O próprio BCG aponta que organizações que usam IA para redesenhar fluxos de trabalho apresentam resultados diferentes das que apenas distribuem novas ferramentas aos funcionários.
Para o trabalhador, isso significa que aprender IA envolve mais do que conhecer comandos ou ferramentas. Também exige entender como o próprio trabalho pode ser reorganizado e quais decisões continuam dependendo de julgamento humano.