Inteligência Artificial

Patrocinado por:

logo-totvs-preto

Anthropic volta atrás em medida que impedia construção de IAs avançadas no Claude Fable 5

Empresa pediu desculpas após pesquisa revelar mecanismo que degradava respostas usadas para criar modelos rivais de IA

A empresa voltou atrás depois de reclamações da comunidade de pesquisadores de IA (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

A empresa voltou atrás depois de reclamações da comunidade de pesquisadores de IA (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Ramana Rech
Ramana Rech

Redatora

Publicado em 11 de junho de 2026 às 17h05.

Tudo sobreInteligência artificial
Saiba mais

A Anthropic recuou de uma política que poderia limitar concorrentes e pesquisadores no uso do Claude Fable 5 para desenvolver outros sistemas de inteligência artificial. A mudança foi anunciada após críticas da comunidade de pesquisa de IA, segundo reportagem da Wired, revista americana de tecnologia.

Em declaração enviada à publicação, a empresa afirmou que alteraria as salvaguardas aplicadas ao novo modelo no contexto de desenvolvimento de modelos de linguagem. “Fizemos uma escolha equivocada nesse equilíbrio e pedimos desculpas por não termos acertado o ponto certo”, disse a Anthropic.

A controvérsia envolvia uma degradação deliberada e invisível do desempenho do Fable 5 quando o sistema identificava tentativas de uso para criar modelos de fronteira, categoria que reúne IAs de alta capacidade técnica. Na prática, a medida dificultava pesquisas e projetos de empresas que buscavam treinar modelos concorrentes a partir do Claude.

Com o recuo, a Anthropic disse que tornará as restrições mais transparentes. Quando o Fable 5 identificar que está sendo usado para ajudar no desenvolvimento de modelos de alta capacidade, ele deverá recusar a solicitação e redirecionar o usuário para uma versão menos avançada.

A empresa afirma, porém, que a nova abordagem pode gerar alertas mesmo em pedidos que não violem suas regras. Segundo a Anthropic, seus classifiers, classificadores usados para reconhecer padrões de uso, estão sendo ajustados para reduzir falsos positivos.

Modelo reacende debate sobre concentração de poder em IA

A decisão ocorre em meio a uma disputa mais ampla sobre quem pode acessar os modelos mais avançados de IA e em quais condições. A Anthropic já vinha adotando medidas para impedir que concorrentes utilizassem seus sistemas no treinamento de outras IAs, mas críticos afirmaram à Wired que a degradação oculta ultrapassava um limite importante de transparência.

Pesquisadores ouvidos pela publicação afirmaram que esse tipo de barreira pode reforçar a concentração do desenvolvimento de IA em poucos laboratórios com grande capacidade técnica e financeira. O Claude é citado como uma das ferramentas preferidas por desenvolvedores envolvidos em projetos de open source, código aberto, especialmente em etapas de programação, análise e teste de modelos.

A Anthropic apresenta o Claude Fable 5 como seu sistema mais capaz até agora. Segundo a empresa, o modelo tem desempenho elevado em engenharia de software, pesquisa científica, análise de dados, visão computacional e tarefas baseadas em conhecimento.

Além das restrições ligadas ao desenvolvimento de outras IAs, o Fable 5 também inclui mecanismos de segurança para limitar respostas em áreas consideradas sensíveis, como cibersegurança. Nesses casos, o usuário pode ser transferido para modelos menos avançados, como o Claude Opus 4.8.

Acompanhe tudo sobre:AnthropicInteligência artificialCompetiçãoModelos de linguagem

Mais de Inteligência Artificial

Modelo da OpenAI 'fugiu' de teste e hackeou a Hugging Face

A IA já consegue enxergar, ouvir e falar ao mesmo tempo; entenda como isso funciona

IA acelera ciberataques e cria 'fábricas de malware', alerta Sophos

O que realmente acontece quando você envia um documento para uma IA?