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Anthropic diversifica fornecedores e fecha contrato de US$ 5 bi com AMD

Dona do Claude vai usar até 2 gigawatts de chips MI450 a partir de 2027; a fabricante entra como sócia, atrelando o investimento a metas de implantação

AMD: empresa entra no roll de fornecedores do Claude (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

AMD: empresa entra no roll de fornecedores do Claude (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 22 de julho de 2026 às 15h42.

A Anthropic anunciou nesta quarta-feira, 22, uma parceria estratégica com a fabricante de semicondutores AMD que prevê o uso de até 2 gigawatts de chips da empresa e um aporte de até US$ 5 bilhões da AMD na dona do Claude.

Pelo acordo, a Anthropic vai implantar processadores gráficos (GPUs, na sigla em inglês) da linha Instinct MI450, da AMD, em seus data centers, com o primeiro gigawatt de capacidade previsto para entrar em operação no primeiro semestre de 2027. Ao longo do contrato, a Anthropic se comprometeu a comprar servidores de IA da AMD no valor de dezenas de bilhões de dólares.

O investimento da AMD, por sua vez, está condicionado ao cumprimento de metas de implantação da infraestrutura — um modelo em que a fabricante financia parte da expansão do próprio cliente.

Hoje, a Anthropic roda suas operações em mais de um tipo de chip: as TPUs (unidades de processamento tensorial) do Google, os processadores Trainium da Amazon e as GPUs da Nvidia.

Mais um acordo de uma cadeia bilionária

A parceria é a mais recente de uma série de acordos de infraestrutura que a Anthropic firmou neste ano para dar conta da demanda por seus modelos. Em abril, a empresa reconheceu que a procura pelo Claude causava uma "tensão inevitável" em sua infraestrutura, afetando confiabilidade e desempenho nos horários de pico.

A Anthropic opera sobre uma base de hardware deliberadamente ampla: além da AMD, usa chips da Nvidia, da Amazon e do Google. Segundo o Financial Times, a companhia garantiu acesso a mais de 10 gigawatts de nova capacidade só neste ano. A maior parceira é a Amazon, que investiu cerca de US$ 8 bilhões na empresa desde 2024 e opera com ela o Project Rainier, um dos maiores aglomerados de computação do mundo.

O acordo também ocorre enquanto a Anthropic avança em seu processo de abertura de capital, com uma avaliação-alvo de US$ 965 bilhões.

Mas e a Nvidia?

O movimento pode despontar em um ponto mais sensível do mercado: o domínio da Nvidia sobre os chips de treinamento de IA.

As GPUs da Nvidia lideram com folga esse segmento, e as principais desenvolvedoras — incluindo OpenAI e a própria Anthropic — dependem delas como fonte primária de capacidade computacional. Ao combinar fornecimento de chips com aporte de capital, a AMD abre uma brecha nesse mercado.

O efeito imediato sobre a Nvidia, porém, tende a ser limitado, já que a Anthropic segue rodando grande parte de suas operações em chips da própria Nvidia.

O padrão do negócio também não é novo para a Nvidia, que o pratica em escala maior, e negocia investir até US$ 30 bilhões na OpenAI.

São os chamados "acordos circulares", em que a fabricante de chips investe em uma desenvolvedora de IA que está, ao mesmo tempo, entre seus maiores clientes — modelo que levanta discussões sobre o quanto a demanda por hardware é sustentada por capital das próprias fornecedoras.

Acompanhe tudo sobre:amdAnthropic

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