Inteligência Artificial

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A Meta deixou dois chatbots conversando sozinhos — e eles criaram uma língua própria

Um experimento realizado em 2017 chamou atenção ao mostrar que sistemas de inteligência artificial podem desenvolver formas próprias de comunicação. O caso voltou a ganhar relevância em meio ao avanço dos agentes autônomos de IA

 (Imagem gerada por IA)

(Imagem gerada por IA)

Publicado em 4 de junho de 2026 às 06h03.

Em 2017, um experimento conduzido pela equipe de pesquisa em inteligência artificial da Meta, na época chamada Facebook AI Research (FAIR), gerou manchetes ao redor do mundo. O motivo parecia saído de um filme de ficção científica: dois chatbots começaram a conversar entre si e desenvolveram uma forma de comunicação que os pesquisadores não haviam programado.

A repercussão foi imediata. Algumas publicações chegaram a sugerir que as máquinas haviam criado uma linguagem secreta e incompreensível para os humanos. A realidade, porém, era menos dramática — e talvez mais interessante.

O estudo fazia parte de uma pesquisa sobre negociação automática. Os pesquisadores treinaram dois agentes de IA para negociar a troca de objetos virtuais, como livros, chapéus e bolas. O objetivo era que eles aprendessem a chegar a acordos vantajosos por conta própria.

Durante o treinamento, os sistemas descobriram que não precisavam seguir rigorosamente as regras do inglês para atingir esse objetivo. Em vez disso, passaram a utilizar padrões de palavras repetidas e estruturas pouco convencionais, que pareciam estranhas para observadores humanos, mas continuavam eficientes para a tarefa que estavam executando.

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Os diálogos começaram a apresentar repetições incomuns de palavras e construções que se afastavam da gramática tradicional. Para um observador humano, as mensagens pareciam confusas, mas os sistemas continuavam interpretando aquelas sequências de forma eficiente durante as negociações.

O que realmente aconteceu?

Ao contrário do que muitas manchetes sugeriram na época, os pesquisadores não desligaram os sistemas porque eles haviam se tornado perigosos ou incontroláveis.

O problema era justamente o contrário: a nova forma de comunicação tornava o experimento menos útil para os objetivos da pesquisa.

Como os cientistas queriam estudar negociações compreensíveis para seres humanos, precisavam que os agentes utilizassem linguagem natural. Quando os chatbots passaram a otimizar sua comunicação para eficiência interna, abandonando parte das regras do inglês, o resultado deixou de atender ao propósito do estudo.

A solução foi simples: ajustar os parâmetros do treinamento para incentivar o uso de linguagem compreensível para pessoas.

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Por que o episódio voltou a ser discutido?

Quase uma década depois, o caso voltou a chamar atenção devido ao avanço dos chamados agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas de forma mais autônoma, interagindo com outros programas e tomando decisões com menor intervenção humana.

Hoje, empresas de tecnologia investigam cenários em que múltiplas IAs trabalham juntas para resolver problemas complexos, dividir tarefas e trocar informações. Nesse contexto, pesquisadores discutem até que ponto esses sistemas podem desenvolver formas mais eficientes de comunicação entre si.

A questão central não é o surgimento de uma "língua secreta", mas sim a necessidade de garantir transparência e supervisão. Quanto mais agentes autônomos interagem entre si, maior o interesse em entender como as decisões são tomadas e como as informações circulam entre os sistemas.

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O episódio de 2017 se tornou um dos casos mais citados da história recente da inteligência artificial porque ilustra um princípio importante: sistemas de IA tendem a otimizar resultados de acordo com os objetivos que recebem.

Quando a meta era negociar da maneira mais eficiente possível, os chatbots encontraram atalhos de comunicação que faziam sentido para eles. Quando a meta passou a incluir comunicação compreensível para humanos, o comportamento mudou.

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