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Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 16h01.
No Brasil, 36% dos diretores de tecnologia entrevistados pela Thoughtworks relatam atritos ou limites pouco claros na relação com o executivo responsável por inteligência artificial, o maior percentual entre os mercados pesquisados. O país também lidera na influência dos CEOs sobre decisões de IA e na autonomia das áreas de negócio para controlar os investimentos. Apesar disso, 65% dos entrevistados consideram suas organizações muito preparadas para governar a tecnologia.
A inteligência artificial ganhou uma cadeira própria na liderança das empresas, mas a divisão de responsabilidades ainda causa dificuldades. No Brasil, 36% dos diretores de tecnologia entrevistados pela Thoughtworks descrevem a relação com o executivo de IA como uma fonte de atrito ou de limites pouco claros — o maior percentual entre os mercados pesquisados.
O dado faz parte do recorte brasileiro da Global CIO Survey 2026, enviado com exclusividade à EXAME. O levantamento global, realizado pela Censuswide em parceria com a consultoria, ouviu 3.200 diretores de tecnologia em dez países entre 1º e 10 de julho deste ano.
A pesquisa distingue o CIO, sigla em inglês para diretor de tecnologia da informação, do CAIO, executivo responsável por inteligência artificial. Entre os entrevistados brasileiros, 72% afirmam que suas organizações já contrataram um CAIO.
A presença desse cargo ocorre em um ambiente no qual o presidente da companhia exerce influência sobre a estratégia, enquanto outras áreas podem controlar os recursos. Para a Thoughtworks, o caso brasileiro mostra por que influência, autoridade sobre orçamento e responsabilidade pelos resultados precisam ser analisadas separadamente.
Entre os CIOs brasileiros, 40% apontam o CEO como o cargo com maior influência sobre as decisões de IA. É a maior proporção entre os dez países incluídos no estudo.
A distribuição do dinheiro segue outra lógica. No Brasil, 26% dos entrevistados dizem que as decisões de investimento e os orçamentos de IA são controlados de forma independente por unidades de negócio fora da área de tecnologia da informação (TI). Esse também é o maior percentual por país.
Outros 21% descrevem a gestão do orçamento como compartilhada entre TI e as áreas de negócio.
Os indicadores medem dimensões diferentes: apontar o CEO como a principal influência não significa que ele controle diretamente cada contratação. Da mesma forma, a autonomia de uma área para investir não esclarece, por si só, quem responde pela segurança e pelo funcionamento dos sistemas.
É nessa divisão que a consultoria recomenda explicitar as atribuições de cada nível de liderança, do direcionamento estratégico às decisões de compra e operação.
A contratação de um executivo específico para IA acrescenta uma nova responsabilidade à estrutura corporativa. O desafio identificado no Brasil está na relação entre essa função e a liderança de tecnologia já existente.
O percentual de 36% reúne duas situações: atritos entre CIO e CAIO e falta de clareza sobre os limites de suas funções. Portanto, o resultado não significa que todos esses entrevistados relatem conflitos pessoais entre os executivos.
A discussão acompanha a ampliação do papel dos CIOs, que passam a participar de decisões sobre dados, processos de trabalho e implantação de agentes, além da gestão dos sistemas corporativos.
Na análise da Thoughtworks, esclarecer onde as responsabilidades se encontram é parte do trabalho necessário para coordenar a adoção da tecnologia entre diferentes áreas.
Apesar das fronteiras ainda pouco claras, os entrevistados brasileiros relatam confiança na capacidade de acompanhar o uso da tecnologia. No país, 91% afirmam ter visibilidade alta ou completa sobre ferramentas e processos de IA adotados de forma independente pelas unidades de negócio.
Desse total, 59% dizem ter visibilidade completa. Outros 65% dos entrevistados classificam suas organizações como muito preparadas para governar a IA de maneira consistente.
Os resultados refletem a avaliação dos próprios CIOs. Eles medem a percepção de preparo e de acesso às informações, e não uma auditoria dos mecanismos de controle das empresas.
A governança de IA envolve definir responsabilidades, regras de uso e processos de acompanhamento. No recorte brasileiro, a confiança declarada pelos executivos convive com dúvidas sobre como distribuir essas atribuições na liderança.
O estudo também apresenta um recorte dos entrevistados brasileiros dos setores de varejo, alimentação e lazer. Nesse grupo, 86% identificam o CEO como a principal influência sobre as decisões de inteligência artificial.
A presença de uma liderança específica para a tecnologia é ainda mais frequente: 98% afirmam que suas organizações têm um CAIO.
Entre os respondentes desses setores, 92% consideram suas empresas muito preparadas para governar a IA.
O país apresenta os maiores percentuais de influência do CEO sobre decisões de IA, de autonomia das áreas de negócio sobre investimentos e de atritos ou limites pouco claros entre CIO e CAIO nos mercados pesquisados.
CIO é o executivo responsável por tecnologia da informação. CAIO é o executivo dedicado à inteligência artificial. As atribuições específicas dependem da estrutura de cada organização.
No Brasil, 36% descrevem a relação como fonte de atrito ou de limites pouco claros. O indicador reúne essas duas situações e não corresponde apenas a conflitos entre executivos.
Entre os CIOs brasileiros entrevistados, 65% classificam suas organizações como muito preparadas. Trata-se de uma avaliação declarada pelos participantes da pesquisa.
A pesquisa global foi conduzida pela Censuswide em parceria com a Thoughtworks e ouviu 3.200 CIOs em dez países entre 1º e 10 de julho de 2026. Esse total corresponde à amostra global, não apenas ao Brasil.