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5 habilidades de IA que profissionais querem aprender e que podem pesar no salário (Magnific)
Jornalista
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 17h12.
Quem pretende aumentar o salário por meio de inteligência artificial precisa olhar além da ferramenta da moda. Um levantamento da Robert Half para 2026 mostra que profissionais interessados em novas oportunidades buscam desenvolver quatro competências: desenvolvimento de software com IA, plataformas de nuvem, IA generativa e linguagens de programação.
O mercado, porém, não remunera uma habilidade de forma isolada. O impacto aparece principalmente quando essas competências são combinadas com experiência técnica e aplicadas a funções para as quais existe demanda.
O Guia Salarial 2026 da Robert Half separa as habilidades mais procuradas por candidatos das competências mais difíceis de encontrar pelas empresas.
Entre as habilidades que profissionais buscam aprimorar estão o desenvolvimento de software com IA, plataformas de cloud, desenvolvimento em IA generativa e linguagens de programação. Já entre as competências mais difíceis de encontrar aparecem cloud, ciência de dados e gerenciamento de bancos de dados, administração de redes e desenvolvimento de software e aplicações.
A diferença é relevante. Ela mostra que aquilo que o trabalhador deseja aprender nem sempre corresponde exatamente ao que aparece como maior dificuldade de contratação.
No entanto, há uma interseção clara: IA, programação e infraestrutura aparecem em diferentes partes da demanda por profissionais de tecnologia.
Dados do Stanford AI Index 2026, produzidos com informações da Lightcast, ajudam a dimensionar essa mudança. Nos Estados Unidos, 2,5% de todas as vagas publicadas em 2025 mencionavam habilidades de IA, alta de 55% em relação ao ano anterior.
Entre as competências específicas, Python foi a mais requisitada nas vagas de IA analisadas, aparecendo em 258.674 anúncios. A demanda também cresceu para competências relacionadas à infraestrutura, como Amazon Web Services, escalabilidade e gerenciamento de fluxos de trabalho.
Isso ajuda a explicar por que aprender IA apenas como usuário de ferramentas pode ter impacto diferente de desenvolver capacidade para construir, integrar e operar sistemas de IA.
A inteligência artificial generativa também avançou rapidamente. Segundo a Lightcast, vagas nos Estados Unidos que mencionavam competências de IA generativa chegaram a 138.188 em 2025, contra 65.557 em 2024, crescimento de 111%. Prompt engineering cresceu 261%, enquanto RAG, técnica usada para conectar modelos de IA a bases externas de informação, avançou 337%.
Não há uma tabela que permita afirmar, por exemplo, que aprender Python acrescenta determinado valor ao salário de um profissional brasileiro. O que os estudos conseguem medir é a associação entre determinadas competências e a remuneração das vagas.
Uma pesquisa publicada na Economics Letters analisou anúncios de emprego no Reino Unido e encontrou um prêmio salarial de 8,6% a 9,7% para vagas que exigiam habilidades de IA. O estudo também estimou que cada habilidade adicional de IA estava associada a um aumento salarial de 4,8% a 5,4% dentro das vagas analisadas.
Outro estudo, publicado na Technological Forecasting and Social Change, analisou cerca de 11 milhões de vagas no Reino Unido. A pesquisa encontrou um prêmio salarial de 23% para habilidades de IA e identificou crescimento de 21% na demanda por funções de IA entre 2018 e 2023.
Os números não devem ser convertidos diretamente para o mercado brasileiro, mas ajudam a mostrar por que essas competências passaram a aparecer com mais frequência nas estratégias de carreira.
No Brasil, o Guia Salarial 2026 da Robert Half coloca o engenheiro de IA entre os profissionais de tecnologia com maiores salários. A faixa vai de R$ 19,5 mil a R$ 27,1 mil, considerando os percentis analisados pela consultoria.
O levantamento também aponta salários de até R$ 26,1 mil para engenheiros de prompt e de até R$ 23,5 mil para especialistas em IA e machine learning.
Esses valores não representam o retorno financeiro de uma habilidade específica. Eles correspondem às faixas salariais dos cargos e refletem uma combinação de experiência, conhecimento técnico e especialização.
Por isso, para quem já trabalha, a estratégia tende a ser diferente de simplesmente acumular cursos. Programação + IA, cloud + IA ou dados + IA, por exemplo, podem abrir caminhos diferentes de acordo com a função atual e o tipo de vaga desejada.
Os dados de contratação indicam uma mudança de foco: as empresas não procuram apenas pessoas capazes de conversar com ferramentas de IA, mas profissionais que consigam incorporar a tecnologia a sistemas e processos.
O Stanford AI Index 2026 mostra justamente esse movimento. Além do crescimento de IA generativa, competências ligadas a agentes, implantação e infraestrutura ganharam espaço nas vagas. As menções a Agentic AI, por exemplo, cresceram mais de 280% entre 2024 e 2025 nos anúncios analisados nos Estados Unidos.
Para o profissional, isso coloca alfabetização em IA como uma camada que pode ser combinada com competências já existentes. Um desenvolvedor pode incorporar IA ao processo de programação; um profissional de dados pode trabalhar com modelos e automação; e alguém de infraestrutura pode atuar na implementação e operação desses sistemas.
O avanço das vagas relacionadas à inteligência artificial também não significa que qualquer curso de IA resultará automaticamente em aumento salarial. Os estudos disponíveis apontam uma relação entre habilidades específicas, demanda empresarial e remuneração, mas o efeito varia conforme profissão, experiência e mercado.
Para quem busca melhorar a posição profissional, os dados sugerem que o maior valor está na combinação entre IA e uma competência técnica ou de negócio que já tenha demanda no mercado.