Vale: empresa de maior peso da bolsa divulgou resultados (Ricardo Teles/Divulgação)
Editor de Invest
Publicado em 30 de julho de 2026 às 19h31.
A Vale reportou lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. O recuo contrasta com a melhora operacional do período e é explicado principalmente por uma variação negativa de US$ 798 milhões nos resultados com derivativos (contratos financeiros que a Vale usa para se proteger de oscilações de câmbio, juros e preços de commodities).
A companhia também tributos maiores sobre o lucro, ligados a efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais em subsidiárias. O resultado financeiro líquido ficou negativo em US$ 473 milhões, ante um ganho de US$ 167 milhões um ano antes. Em bases pro forma, que excluem itens não recorrentes, o lucro foi de US$ 1,566 bilhão, recuo de 26% na comparação anual.
O EBITDA pro forma somou US$ 4,066 bilhões, alta de 19% na comparação anual, com margem de 39%, estável em relação ao ano anterior. O avanço foi sustentado por preços de referência mais elevados e maiores volumes de vendas em todos os segmentos.
O grande destaque veio dos metais básicos, cujo EBITDA ajustado saltou 79% no ano, para US$ 1,3 bilhão. O cobre avançou 91%, para US$ 1,026 bilhão, e o níquel subiu 46%, para US$ 294 milhões, ambos beneficiados por preços realizados mais altos e por receitas robustas de subprodutos.
As soluções de minério de ferro tiveram um desempenho mais modesto, com EBITDA de US$ 3,056 bilhões, alta de 3%.
A receita líquida de vendas atingiu US$ 10,498 bilhões, crescimento de 19% ante o segundo trimestre de 2025. Os preços realizados subiram em todas as commodities do portfólio.
O cobre alcançou US$ 14.062 por tonelada, alta de 57% no ano, enquanto o níquel chegou a US$ 18.061 por tonelada, avanço de 14%.
O preço realizado de finos de minério de ferro somou US$ 95 por tonelada, alta de 12% na comparação anual.
Os volumes acompanharam o movimento, com aumento de 3% nas vendas de minério de ferro, 10% no cobre e 7% no níquel. A China concentrou 50% da receita, com US$ 5,283 bilhões, alta de 22% no ano.
Do lado dos custos, o minério de ferro foi pressionado. O custo caixa C1, excluindo compras de terceiros, chegou a US$ 24,1 por tonelada, alta de 9% no ano.
O custo all-in do minério alcançou US$ 61,6 por tonelada, avanço de 18%, adicionalmente pressionado pelo frete.
Nos metais básicos, o movimento foi inverso: o custo all-in do cobre caiu para US$ -257 por tonelada, ante US$ 1.450 no ano anterior, e o do níquel recuou 17%, para US$ 10.340 por tonelada, ambos impulsionados pela forte receita de subprodutos. O valor negativo indica que a receita com subprodutos, como o ouro, superou todo o custo de produção de cobre no trimestre.
As despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização de barragens somaram US$ 101 milhões no trimestre, alta de 166% no ano.
Considerando todos os desembolsos desde 2019, o impacto acumulado em EBITDA de Brumadinho e descaracterização chegou a US$ 18,323 bilhões, com saldo de provisões (valor ainda a pagar) de US$ 3,898 bilhões ao fim de junho.
A geração de caixa foi um ponto forte do balanço. O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,505 bilhão, US$ 497 milhões acima do ano anterior, impulsionado pelo maior EBITDA pro forma e por menores pagamentos de tributos.
A companhia também se beneficiou de uma entrada de US$ 337 milhões na liquidação financeira de derivativos.
A dívida líquida expandida recuou US$ 1,1 bilhão no trimestre, para US$ 16,7 bilhões, dentro da faixa-meta de US$ 10 a 20 bilhões. A alavancagem seguiu confortável, com relação dívida líquida sobre EBITDA ajustado de 0,8 vez.
A Vale pagará US$ 1,701 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio em setembro e teve um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações aprovado pelo Conselho.
A companhia estreitou as projeções de produção de 2026 para cobre e níquel, refletindo o forte desempenho operacional no primeiro semestre, quando a mineradora teve o melhor segundo trimestre de produção em oito anos. O intervalo estimado para o cobre passou a 360 a 380 mil toneladas, enquanto o do níquel foi para 185 a 200 mil toneladas, ambos com elevação no piso das faixas.
Nas projeções de custo, o guidance de custo all-in do cobre foi revisado para baixo, para US$ 0 a 500 por tonelada, ante US$ 1.000 a 1.500 anteriores, principalmente pelo impacto positivo de preços de ouro mais altos. O do níquel também caiu, para US$ 10.000 a 11.500 por tonelada, ante US$ 12.000 a 13.500. O metal é hoje uma das principais apostas de crescimento da companhia, que quer pelo menos dobrar sua capacidade de produção de cobre nos próximos anos.
Já para o minério de ferro, os custos foram revisados para cima: o custo caixa C1 passou para US$ 22,5 a 23,5 por tonelada e o all-in para US$ 58 a 62 por tonelada, refletindo premissas de real mais forte (câmbio médio de R$ 5,13) e preços mais elevados do petróleo (Brent a US$ 86 o barril).