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Vale quer que metais críticos representem quase um terço do lucro operacional

Companhia elevou a projeção de contribuição da Vale Base Metals para 28% do EBITDA consolidado de 2026 e reforçou aposta em cobre e níquel como segundo motor de crescimento

Vale: historicamente dependente do minério de ferro, a companhia vem tentando ampliar sua exposição aos chamados minerais críticos para a transição energética (Leandro Fonseca /Exame)

Vale: historicamente dependente do minério de ferro, a companhia vem tentando ampliar sua exposição aos chamados minerais críticos para a transição energética (Leandro Fonseca /Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 9 de junho de 2026 às 11h03.

Última atualização em 9 de junho de 2026 às 11h56.

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A Vale revisou para cima a importância estratégica de sua operação de metais básicos. Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira, a mineradora informou que a Vale Base Metals (VBM), subsidiária responsável pelos negócios de cobre e níquel, poderá responder por aproximadamente 28% do EBITDA consolidado da companhia a partir de 2026.

A nova estimativa considera os preços médios projetados para cobre, níquel com base no consenso de analistas de mercado coletado em maio deste ano. As demais projeções da companhia permanecem inalteradas.

O movimento reforça uma transformação em curso dentro da Vale. Historicamente dependente do minério de ferro, a companhia vem tentando ampliar sua exposição aos chamados minerais críticos para a transição energética, como cobre e níquel, utilizados em veículos elétricos, redes de transmissão e infraestrutura de energia.

Na prática, a Vale projeta que quase um terço de sua geração de caixa operacional poderá vir de metais básicos, reduzindo sua dependência do minério de ferro.

Estratégia dos 'dois motores'

A atualização do guidance está alinhada à estratégia que a própria Vale passou a chamar de "companhia de dois motores".

A ideia é que, ao lado do negócio tradicional de minério de ferro, a divisão de metais básicos se torne uma fonte relevante de crescimento e rentabilidade ao longo da próxima década.

Em apresentação a investidores, a companhia detalhou que a participação da VBM no EBITDA consolidado poderá alcançar entre 30% e 35% no longo prazo, acima dos cerca de 28% projetados atualmente com base nas condições de mercado de 2026.

A subsidiária foi criada em 2023 como uma estrutura separada para concentrar os ativos de cobre e níquel da Vale. Na ocasião, a empresa vendeu uma participação minoritária do negócio para investidores estratégicos, incluindo a saudita Manara Minerals e a gestora americana Engine No. 1.

As projeções financeiras da Vale indicam uma expansão relevante dos resultados da divisão.

Segundo a apresentação, o EBITDA dos negócios de cobre deve saltar de cerca de US$ 1,1 bilhão em 2023 para US$ 3,7 bilhões em 2026.

No níquel, a expectativa é de crescimento de aproximadamente US$ 800 milhões para US$ 1,2 bilhão no mesmo período.

O avanço seria sustentado por uma combinação de preços mais elevados dos metais, aumento de produtividade e redução de custos operacionais.

As premissas utilizadas pela companhia consideram um preço do cobre em torno de US$ 12.660 por tonelada em 2026. Para o níquel, os cenários avaliados variam entre US$ 16 mil e US$ 20 mil por tonelada.

A aposta da Vale ocorre em um momento em que cobre e níquel são vistos como matérias-primas estratégicas para a eletrificação da economia global e para a expansão da inteligência artificial, que exige grandes investimentos em infraestrutura elétrica e data centers.

Para sustentar essa expansão, a Vale Base Metals vem concentrando investimentos em projetos considerados de alta rentabilidade e menor intensidade de capital.

Entre os destaques estão as expansões das operações canadenses de Voisey's Bay e Sudbury, além de um plano de crescimento da produção de cobre.

A meta da companhia é alcançar aproximadamente 700 mil toneladas anuais do metal até 2035, elevando significativamente sua participação no mercado global.

A estratégia busca aproveitar um cenário de demanda crescente por minerais críticos, impulsionado pela eletrificação de veículos, armazenamento de energia e modernização de redes elétricas.

Mercado acompanha diversificação

A revisão das projeções também é acompanhada de perto pelos investidores porque ajuda a reduzir a dependência da Vale dos ciclos do minério de ferro.

Hoje, a commodity continua sendo a principal fonte de receita e geração de caixa da companhia, mas está mais exposta às oscilações da economia chinesa e ao setor imobiliário do país.

Ao ampliar a participação dos metais básicos, a mineradora busca construir uma estrutura de resultados mais diversificada e alinhada às tendências de longo prazo da transição energética.

Como ressaltou a própria companhia no comunicado, as projeções permanecem sujeitas a condições de mercado, preços dos metais, desempenho operacional e fatores macroeconômicos, não representando garantia de resultados futuros.

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