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Vale a pena pegar empréstimo para comprar bitcoin? Bilionário responde

Dono de um dos maiores conglomerados empresariais do México diz ter 70% da carteira em bitcoin e acredita que as moedas tradicionais estão destinadas a perder valor

 (AlexSava/Getty Images)

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Mariana Maria Silva
Mariana Maria Silva

Editora do Future of Money

Publicado em 17 de junho de 2026 às 14h40.

Última atualização em 17 de junho de 2026 às 14h53.

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O bilionário mexicano Ricardo Salinas Pliego é dono do Grupo Elektra, um dos maiores conglomerados empresariais do México. Além disso, Pliego é um grande defensor do investimento em bitcoin.

Em entrevista à Coindesk, Pliego revelou ter 70% de sua carteira em bitcoin, uma proporção muito acima da recomendada atualmente por especialistas, que fica entre 1 e 4%. A fortuna de Pliego é avaliada em R$ 25,4 bilhões, na cotação atual do dólar.

Empréstimo e hipotecar a casa para comprar bitcoin

Além do seu portfólio agressivo em bitcoin, Pliego afirma ter recomendado à sua esposa que ela hipotecasse a sua casa e pegasse um empréstimo para comprar bitcoin. Segundo ele, ela seguiu o conselho.

“Eu sei que este é um tema controverso, mas convenci minha esposa a hipotecar a casa que ela possui e pegar um empréstimo para comprar bitcoin”, disse o bilionário mexicano à CoinDesk.

Na entrevista, ele ainda afirmou que todas as pessoas deveriam “ao menos considerar” converter parte de seu patrimônio imobiliário em exposição ao bitcoin. Para o bilionário mexicano, investir em bitcoin hoje em dia é melhor do que em imóveis.

“Para a maioria das pessoas, o maior investimento, sua reserva de patrimônio, é o valor acumulado em seu imóvel. Encontre uma forma de transformar isso em algum tipo de exposição ao bitcoin, em maior ou menor grau. Assim, você pode apostar tanto na valorização do imóvel quanto na valorização do bitcoin”, disse.

Investir em bitcoin é melhor do que investir em imóveis?

Para justificar a recomendação que Pliego fez à esposa, ele trouxe uma comparação da valorização de um imóvel no centro de Londres e o preço do bitcoin.

Dessa forma, ele argumenta que, em 2016, era necessário uma quantidade de bitcoin muito maior do que hoje para comprar a mesma casa. Na época, o bitcoin custava cerca de US$ 400.

Ele afirma que em janeiro de 2026, uma casa no centro de Londres era vendida, em média, por US$ 1,6 milhão, ou o equivalente a quatro mil bitcoins.

Ele diz que com os preços dos imóveis permanecendo praticamente inalterados dez anos depois, a compra dessa mesma propriedade exigiria hoje menos de 30 bitcoins.

“É uma aposta assimétrica com potencial de alta. Quanto mais pessoas descobrirem o bitcoin, maior será a demanda”, concluiu.

Por que o bitcoin seria um investimento tão bom?

Além do investimento agressivo de 70% da carteira em bitcoin, o bilionário mexicano também revelou à Coindesk que acredita que a maior criptomoeda do mundo pode chegar a US$ 1 milhão.

“O bitcoin chegará a um milhão de dólares. Eu apenas não sei quando", disse.

O otimismo é similar ao de outros grandes investidores, como Cathie Wood, a “queridinha de Wall Street”, e Michael Saylor, dono da empresa listada em bolsa que mais investe em bitcoin e tem seu patrimônio na criptomoeda 103 vezes maior que em dólares.

Para justificar seu otimismo, Pliego comparou o bitcoin com o ouro e citou o fim do padrão-ouro no dólar na década de 1970 como seus principais argumentos.

O bilionário mexicano relembrou como seu pai e seu avô, de família ligada ao setor de mineração de ouro e prata, discutiam apaixonadamente sobre o ouro e como seu preço subiria porque os governos ao redor do mundo “estavam simplesmente imprimindo dinheiro de forma desenfreada, começando pelos Estados Unidos”.

“As conversas à mesa da família, naquela época, com meu avô e meu pai, eram sempre sobre ouro. Em meados da década de 1970, a famosa fraude fiduciária cometida por Richard Nixon era, naturalmente, um grande tema em nossa casa”, disse.

Em julho de 1976, o ouro era negociado a cerca de US$ 125 por onça. Hoje, é negociado acima de US$ 4.500 por onça, com um aumento de quase 500% no poder de compra.

Por outro lado, o dólar norte-americano compra cerca de 15% do que comprava em 1976.

Dessa forma, Pliego afirmou ter concluído que ativos escassos tendem a preservar valor, enquanto moedas tradicionais estão destinadas a perder poder de compra com o tempo. O bitcoin seria uma “extensão moderna” dos mesmos princípios de escassez do ouro.

Além de suas participações no Grupo Elektra, que atua nos setores de varejo, bancário, telecomunicações e mídia, Pliego é um possível candidato à presidência no México em 2030.

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