Ciência

'Um milagre': satélite que simula eclipses solares reaparece após sumir no espaço

Equipamento ficou sem orientação e perdeu energia antes de ser reativado.

Satélite da Agência Espacial Europeia passou mais de um mês sem contato e preocupa cientistas. (ESA (Agência Espacial Europeia))

Satélite da Agência Espacial Europeia passou mais de um mês sem contato e preocupa cientistas. (ESA (Agência Espacial Europeia))

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 21 de março de 2026 às 10h36.

Última atualização em 21 de março de 2026 às 10h36.

A Agência Espacial Europeia (ESA) confirmou na última quinta-feira, 19, que conseguiu restabelecer a comunicação com o satélite Proba-3, após mais de um mês sem contato. A espaçonave havia perdido a orientação em 14 de fevereiro, entrou em modo de sobrevivência e ficou temporariamente incapaz de gerar energia.

Segundo a ESA, o sinal foi recuperado quando os painéis solares do equipamento voltaram a ser iluminados, o que permitiu a recarga das baterias e a reativação dos sistemas. A manobra foi coordenada pela equipe de operações na Espanha e encerrou um período considerado crítico para a missão científica.

Falha de orientação deixou satélite sem energia

A perda de atitude fez com que o satélite permanecesse à deriva, impossibilitado de apontar corretamente seus painéis solares para o Sol. Sem geração de energia, os sistemas foram automaticamente reduzidos ao mínimo operacional.

Após a retomada do contato, especialistas avaliam as condições dos instrumentos e possíveis danos causados durante o período de inatividade.

O diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher, classificou a recuperação como um “milagre”. Já o diretor da missão, Damien Galano, afirmou que o retorno do sinal do coronógrafo trouxe “enorme alívio” à equipe.

Missão Proba-3 simula eclipses solares artificiais

Lançada em 2024, a missão Proba-3 é considerada um dos projetos mais inovadores da ESA. O sistema utiliza dois satélites que voam em formação a mais de 60 mil quilômetros de altitude.

Uma das espaçonaves atua como escudo, bloqueando a luz solar, enquanto a outra, equipada com um coronógrafo, observa a coroa solar, camada mais externa da atmosfera do Sol ainda pouco compreendida pela ciência.

Diferentemente dos eclipses naturais, que são raros e breves, o arranjo permite até 12 horas semanais de observação contínua durante dois anos. O objetivo é ampliar a coleta de dados sobre fenômenos como ejeções de massa coronal e tempestades solares, eventos que podem impactar satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra.

Com o contato restabelecido, a expectativa da ESA é retomar plenamente as operações e garantir a continuidade dos experimentos que podem aprofundar o entendimento sobre o comportamento do Sol e seus impactos no planeta.

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