Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 07h08.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 11, que líderes do Irã entraram em contato com a Casa Branca para negociar, após ameaças de possíveis ações militares em resposta à violência registrada nos protestos que ocorrem no país.
“Está sendo preparada uma reunião. O Irã ligou. Querem negociar”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, ao retornar de viagem oficial.
Segundo o presidente, o governo americano recebe atualizações “a cada hora” sobre a evolução das manifestações e ainda avalia qual será a resposta. “Talvez tenhamos que agir antes de uma reunião”, afirmou.
Trump disse que considera que o governo iraniano começa a “cruzar uma linha” ao lidar com os protestos, ao mencionar mortes que, segundo ele, “não tinham que acontecer”. O presidente atribuiu os episódios ao uso da violência por parte das autoridades do país.
“Alguns manifestantes morreram por pisoteamento, havia muitos. E alguns foram baleados”, declarou.
De acordo com Trump, as Forças Armadas dos Estados Unidos estão analisando o cenário e há “algumas opções” sobre a mesa, sem detalhar quais.
O presidente afirmou ainda que acredita que o Irã leva as ameaças americanas a sério, citando ações anteriores de seu governo, como a morte do general iraniano Qassem Soleimani, do líder do Estado Islâmico Abu Baker al-Baghdadi, e o que classificou como redução da ameaça nuclear iraniana.
“E agora acabamos de ter o que aconteceu na Venezuela. Você não diria que eles levam a sério depois de tudo isso?”, disse.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, afirmou que o país está preparado para uma possível guerra, ao mesmo tempo que também está pronto para negociar. A declaração ocorreu após a fala de Trump sobre o telefonema.
"As negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo", afirmou o ministro.
Trump também minimizou a preocupação com possíveis ataques iranianos a bases americanas, após declarações do presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf.
“Se o fizerem, os atacaremos em níveis que nunca foram atacados antes”, afirmou.
Protestos deixam ao menos 538 mortos, segundo ONG
As manifestações no Irã começaram em 28 de dezembro, impulsionadas pela crise econômica, e se espalharam por diversas regiões do país. Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, ao menos 538 pessoas morreram desde o início dos protestos.