Rússia, Moscou: Um homem deposita seu voto nas eleições parlamentares da Rússia em uma seção eleitoral (IGOR IVANKO / Colaborador/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de setembro de 2026 às 09h49.
A Rússia afirmou neste sábado, 19, que o sistema de votação online de Moscou sofreu um forte ciberataque durante a madrugada, no segundo dia das eleições legislativas do país.
Segundo a presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, o ataque ocorreu de forma praticamente ininterrupta durante a noite e continuava na manhã deste sábado. Apesar disso, ela afirmou que o sistema permanecia funcionando normalmente.
"Durante toda a noite, literalmente sem interrupção, o sistema de Moscou sofreu um ataque muito potente", afirmou Pamfilova, segundo agências russas.
A autoridade eleitoral não informou quem estaria por trás da ofensiva nem apresentou detalhes técnicos sobre sua origem. A ocorrência também foi relatada pela agência Interfax.
De acordo com Pamfilova, as tentativas estavam sendo repelidas e não haviam provocado interrupção da votação.
Autoridades russas também relataram ataques contra sistemas eleitorais e linhas de comunicação em outras partes do país. No Extremo Oriente russo, o Ministério do Desenvolvimento Digital afirmou ter identificado uma tentativa de sabotagem das linhas de comunicação, posteriormente contida.
A votação começou na sexta-feira, 18, e termina no domingo, 20. O pleito renovará as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo.
Esta é a primeira eleição legislativa da Rússia desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A votação também ocorre em territórios ucranianos ocupados pela Rússia e cuja anexação por Moscou não é reconhecida internacionalmente.
Em Moscou e em dezenas de outras regiões, os eleitores têm a possibilidade de votar pela internet.
O partido Rússia Unida, ligado ao presidente Vladimir Putin e que atualmente domina a Duma, participa da eleição em um ambiente político marcado pela forte restrição à oposição. A maior parte dos candidatos contrários à guerra ficou fora da disputa.
O Yabloko, partido liberal que defende o fim do conflito, não participa com uma lista partidária, embora alguns de seus integrantes concorram individualmente em determinados distritos eleitorais.
Também disputam cadeiras partidos como o Comunista (KPRF), o Liberal Democrata (LDPR), o Rússia Justa e o Gente Nova. As principais legendas autorizadas a participar apoiam, em diferentes graus, o Kremlin e a campanha militar russa na Ucrânia.
Em Moscou, eleitores ouvidos pela AFP apresentaram diferentes razões para seus votos.
Tatiana, aposentada de 71 anos, afirmou ter escolhido o Rússia Unida por considerar que a legenda apresenta os melhores resultados.
Já Diana, de 30 anos, disse ter votado no Gente Nova na expectativa de que o partido dê maior atenção às dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
"Muitas pessoas perderam o emprego. Os salários caem em vez de subir", afirmou à AFP.
Ela também disse desejar a paz com a Ucrânia, embora acredite que o conflito ainda deve se prolongar.
Os primeiros resultados das eleições devem começar a ser divulgados após o encerramento da votação no domingo. Resultados mais completos são esperados para segunda-feira.