A ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton (Mandel Ngan/AFP)
Redação Exame
Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 10h07.
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton solicitaram que seus depoimentos ao Congresso americano sobre vínculos com o financista Jeffrey Epstein sejam realizados em audiência pública. Segundo o casal, a medida busca evitar o uso político do tema por parlamentares republicanos.
Os dois foram intimados a depor a portas fechadas perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, responsável por investigar as conexões de Epstein com figuras de poder e o tratamento dado às informações sobre seus crimes.
De acordo com comunicado do comitê, Hillary Clinton prestará depoimento em 26 de fevereiro, enquanto Bill Clinton falará no dia seguinte.
Democratas afirmam que a investigação vem sendo usada como instrumento político contra opositores do presidente Donald Trump, que também manteve relação social com Epstein, mas não foi convocado a depor. Segundo eles, o foco estaria menos na supervisão institucional e mais no confronto partidário.
Republicanos da Câmara chegaram a ameaçar uma votação por desacato ao Congresso caso o casal não comparecesse. Diante disso, os Clintons aceitaram prestar depoimento, mas condicionaram a participação à realização de uma audiência aberta.
Bill Clinton afirmou que depor em sessão fechada equivaleria a ser julgado em um “tribunal irregular”. “Chega de jogos; vamos fazê-lo do jeito certo: em uma audiência pública”, escreveu o ex-presidente na rede social X.
Hillary Clinton declarou que ambos já repassaram ao comitê tudo o que sabem sobre o caso. “Se querem essa briga, vamos fazê-la em público”, afirmou.
A discussão ocorre após o Departamento de Justiça divulgar, na semana passada, o último lote dos chamados arquivos Epstein, com mais de três milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados às investigações sobre o financista, que morreu sob custódia em 2019, em um caso oficialmente classificado como suicídio.
Bill Clinton aparece com frequência nos documentos, mas, até o momento, nenhuma prova que envolva o casal em atividades criminosas foi apresentada.
O ex-presidente reconheceu ter utilizado o avião de Epstein no início dos anos 2000 para viagens ligadas a atividades humanitárias da Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha privada do financista, onde teriam ocorrido abusos.
Hillary Clinton declarou que não manteve relação significativa com Epstein e que nunca esteve em seu avião nem em sua ilha. A ex-secretária de Estado foi adversária de Donald Trump na eleição presidencial de 2016.
O Comitê de Supervisão ainda não informou se aceitará o pedido para que os depoimentos sejam realizados em sessão pública.
*Com informações de AFP