Freira deposita voto em seção eleitoral portuguesa neste domingo (Filipe Amorim / AFP)
Repórter
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 08h51.
Portugal realiza neste domingo suas eleições presidenciais. O pleito deve confirmar a força do campo da direita, hoje na oposição, para levar seu candidato ao segundo turno.
As urnas foram abertas às 8h, no horário local (5h em Brasília), para 11 milhões de eleitores. As pesquisas de boca de urna serão divulgadas a partir das 20h (17h em Brasília).
De acordo com as últimas sondagens, André Ventura, presidente do partido Chega, pode liderar a votação. Apesar disso, o deputado de 42 anos tem poucas chances de vencer o segundo turno, marcado para 8 de fevereiro.
Embora o presidente português não possua poderes executivos, o cargo tem peso institucional importante, já que o chefe de Estado pode dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas em situações de crise.
Após semanas de campanha com resultado incerto, o socialista António José Seguro aparece ligeiramente à frente do eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo na disputa pela segunda posição, segundo pesquisas.
Ao todo, 11 candidatos — número recorde — concorrem ao posto de chefe de Estado. O vencedor substituirá o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, eleito duas vezes em primeiro turno.
Ventura já havia participado das eleições presidenciais de 2021, quando obteve 11,9% dos votos e terminou em terceiro lugar. Desde então, seu partido tem crescido de forma contínua, alcançando 22,8% dos votos e 60 deputados nas legislativas de maio, superando o Partido Socialista como principal força de oposição ao governo do conservador Luis Montenegro.
A consultoria Teneo afirmou, em nota, que um novo bom desempenho da direita “confirmaria seu domínio no cenário político” e abriria um novo capítulo na disputa interna entre os conservadores.
Ventura encerrou a campanha pedindo que outros partidos de direita não criem “obstáculos” a um possível segundo turno contra o candidato socialista. No último comício, na sexta-feira, voltou a adotar discurso inflamado, rejeitando “agradar todo mundo” e prometendo “pôr ordem” no país. “Espero que passe, e não só no primeiro turno. No segundo também”, afirmou Isabel Peixoto, simpatizante de 62 anos e desempregada. “Os outros candidatos pertencem a partidos que já estiveram no poder, e aí está o resultado. É sempre o mesmo”, completou.
Seguro, de 63 anos, aposta na imagem de candidato moderado e integrador, defensor da democracia e dos serviços públicos. “Chamo todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a concentrarem seus votos na nossa candidatura”, declarou no último dia de campanha.
“Precisamos de um presidente que melhore este país porque a saúde, a educação, tudo tem que ser reconstruído”, afirmou Sofia Taleigo, vendedora de frutas de 55 anos em um mercado no sul de Lisboa.
Em Portugal, o salário mínimo mensal é de € 1.015. Na conversão para o real, o valor equivale a R$ 6.462,71, cerca de quatro vezes mais que o mínimo recebido no Brasil.
No Brasil, o salário mínimo é de R$ 1.518 e deve ser reajustado para R$ 1.621 em 2026.
No entanto, é preciso levar em conta as diferenças de poder de compra e de taxas de câmbio nos dois países, o que dificulta uma comparação direta entre os valores.
Uma metodologia que costuma ser utilizada para comparar o poder de compra de diferentes países, que têm políticas de câmbio variadas, é o PPP (paridade de poder de compra, na sigla em inglês)., usada por entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Com informações da AFP