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Delcy Rodriguez: quem é a vice de Maduro que pode assumir o governo da Venezuela

Considerada figura central do chavismo, vice poderia assumir poder com ainda mais legitimidade, mas está na Rússia, segundo agência

Delcy Rodriguez: nome forte do chavismo

Delcy Rodriguez: nome forte do chavismo

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 11h23.

Última atualização em 3 de janeiro de 2026 às 11h27.

Com a captura do presidente Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado, 3, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tem chances de assumir o poder no país recém-atacado por forças militares dos Estados Unidos, dizem especialistas.

"A vice-presidente pode assumir com ainda mais legitimidade ante a ameaça externa, ou os militares venezuelanos tomam o poder", afirmou Thomas Conti, professor do Insper, em publicação nas redes sociais.

A agência de notícias Reuters informou que Rodríguez estaria na Rússia. Por telefone, a vice-presidente disse à televisão venezuelana que havia pedido prova de vida do presidente Maduro.

Advogada de formação, diplomata por trajetória e figura central do chavismo, Delcy ocupa hoje um dos postos mais relevantes do governo de Nicolás Maduro. Nascida em Caracas, em 18 de maio de 1969, Delcy Eloína Rodríguez Gómez construiu sua carreira política em diferentes frentes do Estado venezuelano, passando por ministérios estratégicos até chegar à Vice-Presidência.

Formada em Direito pela Universidade Central da Venezuela (UCV), Delcy também cursou estudos em direito social na Universidade de Paris Nanterre e concluiu um mestrado em política e social pela Universidade de Birkbeck, em Londres.

Antes de se consolidar como nome forte do chavismo, atuou como professora universitária e teve participação ativa no movimento estudantil durante seus anos na UCV, assim como seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez.

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Defensora do projeto chavista

A trajetória institucional de Delcy ganhou projeção nacional a partir de 2013, quando assumiu o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação. No ano seguinte, foi nomeada chanceler da Venezuela, cargo que ocupou entre dezembro de 2014 e junho de 2017, período marcado por forte tensão diplomática e embates do governo venezuelano com organismos internacionais e países críticos ao regime.

Em julho de 2017, Delcy foi eleita para a Assembleia Nacional Constituinte, criada com amplos poderes para reformar o Estado. Logo na sessão inaugural, teve seu nome proposto por Diosdado Cabello para presidir o órgão, consolidando seu peso político dentro da estrutura de poder. Na ocasião, defendeu o projeto chavista como um processo de transformação social.

“Venezuela é um processo único de inclusão social. Rompemos as cadeias da escravidão e mandamos um mensagem de libertação nacional. Hoje aprofundamos esse modelo”, afirmou em discurso na instalação da Constituinte.

Filha do fundador da Liga Socialista

Delcy e o irmão Jorge Rodríguez integram, ao lado de Maduro, o chamado “ala civil” de um governo em que militares e ex-militares passaram a ocupar espaços cada vez mais relevantes. Essa proximidade política tem raízes familiares profundas.

O pai de ambos, Jorge Rodríguez, fundador da Liga Socialista — movimento de inspiração marxista que viria a ter maioria na Constituinte —, morreu em 1976 após ser detido pela polícia política durante o governo de Carlos Andrés Pérez. Sua morte se tornou um símbolo para a esquerda venezuelana e, posteriormente, para o chavismo.

Esse passado familiar é frequentemente citado por Delcy ao rebater acusações de autoritarismo contra o governo. “Eu sei o que é uma ditadura. Ao meu pai custou a vida ser um dissidente político”, afirmou ao ser questionada sobre as críticas da oposição.

Apesar de morar em Altamira, bairro de classe alta de Caracas, ela mantém publicamente a defesa dos ideais marxistas que marcaram a trajetória do pai — posição compartilhada pelo irmão.

Ao ser nomeada vice-presidente, Delcy Rodríguez passou a ocupar um posto-chave na engrenagem do poder venezuelano, simbolizando, para o governo, a continuidade do projeto revolucionário e, para seus críticos, a consolidação de um núcleo político fiel a Maduro em meio a uma crise prolongada no país.

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