Novo presidente-eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, traz consigo agenda de direita e interesses alinhados com os de Trump (AFP)
Repórter
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 06h00.
Abelardo de La Espriella toma posse nesta sexta-feira, 7, como o novo presidente da Colômbia. Sua posse formaliza outra vitória da direita na América Latina e torna mais robusto o corredor apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na região, fortalecendo relações com Israel e reduzindo — ou até cortando — laços com países ideologicamente divergentes, como Cuba e Nicarágua.
E de La Espriella já chega com uma grande mudança: sua posse será inédita, entre as primeiras cerimônias fora de Bogotá.
O Congresso colombiano foi excepcionalmente transferido para Cali, onde o novo presidente tomará posse às 15h no horário local na Arena USC, um espaço universitário com capacidade para cerca de 2.230 pessoas.
Após a cerimônia, De La Espriella seguirá para um quartel do Exército próximo para uma revista às tropas.
A mudança surge como uma rara ruptura com a tradição das posses presidenciais em Bogotá. O precedente mais próximo remonta ao século XIX, quando Rafael Núñez foi empossado em Cartagena devido a problemas de saúde que o impediram de viajar à capital.
Cerca de 6 mil convidados são esperados, entre eles figuras proeminentes da direita internacional, inclusive o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o presidente argentino, Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa e até mesmo o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Chamou a atenção a ausência dos ex-presidentes Ernesto Samper e Juan Manuel Santos, exclusão que gerou críticas da oposição.
Inicialmente, de la Espriella pretendia tomar posse em um quartel no departamento de Cauca, mas o presidente Gustavo Petro vetou o uso de instalações militares. A decisão final por Cali ocorreu em meio às recorrentes erupções do vulcão Puracé, que vinham interrompendo as operações do aeroporto de Popayán e elevando as preocupações de segurança.
O novo presidente tem 47 anos e construiu sua fortuna na advocacia ao assumir a defesa de personagens envolvidos em casos de grande repercussão na Colômbia.
Entre eles esteve David Guzmán, apontado como responsável por um esquema de pirâmide financeira que atingiu cerca de 200 mil correntistas.
Ao longo da carreira, também representou traficantes, jogadores de futebol e figuras ligadas ao poder político e econômico da região. Um dos clientes mais conhecidos foi o empresário Alex Saab, acusado de lavagem de dinheiro para o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela.
Além da atuação jurídica, Espriella expandiu seus negócios para diferentes setores. Ele investe em uma grife de roupas, além de empreendimentos relacionados a vinho, rum, café e restaurantes.
Em seu site oficial, o candidato se apresenta como um "homem renascentista do século 21" e compara-se a Leonardo da Vinci por compartilhar interesses em diversas áreas. Também publicou livros, canta ópera e atuou em filmes e séries.
Durante a campanha, recebeu apoio público do presidente dos EUA, Donald Trump, e demonstrou admiração pelo presidente argentino Javier Milei. Antes de ingressar na disputa eleitoral, vivia na Itália.