Educação em baixa na bolsa: ação da Ânima cai mais de 30% (Getty Images)
Editor de Invest
Publicado em 15 de julho de 2026 às 15h29.
Última atualização em 15 de julho de 2026 às 15h56.
As ações da Ânima Educação (ANIM3) desabam nos negócios desta quarta-feira, 15. Os papéis, que não fazem parte da carteira do Ibovespa, recuavam 31% por volta das 15h (horário de Brasília). A baixa inédita é consequência da compra da FMU pela companhia. A Ânima vai desembolsar R$ 410 milhões na operação e assumir uma dívida líquida de R$ 150 milhões da faculdade, que está em recuperação judicial. A aquisição recebeu uma série de avaliações negativas de analistas que acompanham a empresa.
O BTG Pactual rebaixou a recomendação para as ações da Ânima de compra para neutra. O banco cortou o preço-alvo de R$ 7 para R$ 4 por ação. Os analistas apontam que o enterprise value (valor de aquisição mais dívida) da transação equivale a dez anos de geração de caixa da FMU no ritmo atual. É um múltiplo bem acima do que a própria Ânima negocia hoje na bolsa, de cerca de 3,3 vezes o Ebitda.
Para o banco, o problema não é só o preço, mas a mudança no roteiro que sustentava a recomendação de compra. Desde a integração da Laureate, a tese de investimento na Ânima vinha se apoiando em geração consistente de caixa livre, maior capacidade de distribuir dividendos e alocação de capital mais disciplinada. Ao comprometer parte desse caixa e elevar a alavancagem — de 2,39 para 2,73 vezes dívida líquida sobre Ebitda —, a aquisição da FMU coloca em xeque justamente esses pilares, pontua o BTG.
O Citi destacou que a transação é literalmente uma recompra. A Ânima vendeu a FMU para o fundo Farallon por R$ 500 milhões em 2021, quando adquiriu dele os ativos da Laureate. O banco entende que essa característica "pode levantar questionamentos dos investidores". Para os analistas, integrar um ativo deficitário que está em recuperação judicial é considerado desafiador. Além disso, o aumento de endividamento é visto como algo indesejado num ambiente de juros altos.
O BTG nota que a aquisição reacende um boato recorrente no mercado: o de que a Farallon teria uma opção de venda contra a Ânima.
É o chamado put: um contrato que dá ao fundo o direito de vender a FMU à Ânima em algum momento no futuro, a um preço já combinado desde 2020. Nesse caso, o preço travado seria o mesmo múltiplo usado na compra da Laureate. A Ânima nega a existência dessa opção. Diz que a compra de agora foi uma negociação independente, fechada nas condições divulgadas.
Ainda assim, o BTG observa que o múltiplo pago pela FMU agora é praticamente o mesmo pago pelos ativos da Laureate em 2020 — 10,7 vezes o Ebitda —, mesmo com os juros reais no Brasil cerca de 4,5 pontos percentuais mais altos hoje.
Para os analistas, um programa de recompra de ações ou a compra de uma concorrente listada em bolsa, com prêmio, teriam sido alternativas mais baratas para alocar o mesmo capital.
Procurada pela EXAME, a Ânima informou que "a aquisição não tem relação com nenhum contrato da época da aquisição dos ativos da Laureate no Brasil."
O Safra vê a compra da FMU com um pouco mais de otimismo. O banco manteve recomendação de compra para as ações da Ânima. Os analistas admitem que o preço pago parece alto à primeira vista. Mas dizem que, se a empresa conseguir elevar a rentabilidade da FMU ao nível das demais unidades da Ânima, o negócio se tornaria bem mais barato do que aparenta agora.
O banco também destaca que o formato do acordo protege a Ânima: parte do pagamento só aumenta se a FMU realmente performar bem, o que limita o risco para a compradora. O aumento de dívida da empresa é visto como administrável.