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A habilidade que pode diferenciar os executivos na era da IA — e como adquiri-lá (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 17h34.
A transformação provocada pela inteligência artificial está mudando não apenas as ferramentas usadas pelas empresas, mas também o conjunto de competências esperado de seus profissionais.
Para quem ocupa ou pretende ocupar posições de liderança, entender a tecnologia passou a ser parte de uma questão maior: saber onde e por que aplicá-la.
O desafio, portanto, não está apenas em aprender a escrever bons comandos para uma ferramenta de IA. Está em conectar tecnologia e negócio, identificar problemas relevantes e avaliar quais decisões podem ser aprimoradas com o uso da tecnologia.
O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que IA e big data estão entre as competências que mais devem crescer em importância até 2030. Ao mesmo tempo, pensamento analítico, liderança, criatividade, flexibilidade e aprendizagem contínua permanecem entre as habilidades relevantes para os empregadores.
Isso indica uma mudança importante no perfil profissional. O conhecimento técnico sobre IA ganha valor quando combinado à capacidade de interpretar informações, compreender o contexto da empresa e tomar decisões.
Um executivo não precisa necessariamente desenvolver um modelo de inteligência artificial. Precisa saber, por exemplo, qual problema merece ser automatizado, quais dados podem ser utilizados e como medir se a solução trouxe resultado.
Na prática, essa visão pode aparecer em decisões como:
O avanço dos sistemas de IA também aumenta a necessidade de profissionais capazes de coordenar pessoas, tecnologia e objetivos empresariais.
Um estudo do IBM Institute for Business Value, realizado com 2 mil CEOs de 33 países, mostrou que 61% dos executivos entrevistados afirmavam que suas organizações estavam adotando agentes de IA e se preparando para implementá-los em escala. O levantamento também destaca a importância da liderança estratégica para transformar tecnologia em resultados.
Nesse cenário, a liderança deixa de discutir apenas “qual ferramenta usar” e passa a lidar com questões como governança, produtividade, investimentos, qualificação das equipes e impacto sobre processos.
A demanda crescente por competências de IA não significa que habilidades humanas perderão espaço. O próprio Fórum Econômico Mundial coloca pensamento analítico, liderança e influência social entre as competências centrais do mercado de trabalho.
A PwC chegou a uma conclusão semelhante em seu AI Jobs Barometer 2025. A análise de quase 1 bilhão de anúncios de emprego identificou mudanças mais rápidas nas competências exigidas em ocupações mais expostas à IA.
Para o profissional, isso significa que conhecimento tecnológico isolado pode não ser suficiente. O diferencial está na capacidade de combinar domínio das ferramentas com conhecimento da área, pensamento crítico e compreensão dos objetivos da organização.
Esse perfil também muda a forma como profissionais podem enxergar a própria carreira. Em vez de tratar IA como uma habilidade restrita à área de tecnologia, é possível entendê-la como uma competência transversal, aplicável a diferentes funções e setores.
No mercado de trabalho, a tendência apontada pelos estudos é de maior integração entre competências tecnológicas e humanas.
Para executivos e profissionais, compreender inteligência artificial passa a envolver não apenas saber utilizar ferramentas, mas também formular problemas, avaliar alternativas e tomar decisões alinhadas ao negócio.