Redatora
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 17h25.
Saber usar inteligência artificial deixou de ser apenas uma habilidade para colocar no currículo. Em alguns processos seletivos, ela já começa a ser testada na prática.
A McKinsey introduziu uma etapa em que candidatos a vagas de entrada nos Estados Unidos precisam trabalhar com uma ferramenta de IA durante a seleção — e demonstrar não apenas que sabem fazer perguntas, mas que conseguem avaliar criticamente as respostas produzidas.
Candidatos selecionados para etapas finais passaram a utilizar o Lilli, sistema interno de inteligência artificial da consultoria, para resolver atividades relacionadas ao trabalho de consultoria. A avaliação considera a maneira como o profissional interage com a ferramenta, interpreta seus resultados e estrutura o raciocínio a partir deles.
A mudança sinaliza uma nova etapa no recrutamento: empresas não querem saber apenas se o candidato “conhece IA”. Querem descobrir o que ele consegue fazer com ela — e se mantém capacidade de julgamento quando a tecnologia entrega uma resposta pronta. As informações foram retiradas do The Guardian.
Durante algum tempo, familiaridade com inteligência artificial podia significar simplesmente conhecer ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Copilot.
No exercício da McKinsey, a habilidade não está apenas em produzir um comando eficiente para o sistema. O candidato precisa usar a IA como apoio para resolver um problema e, em seguida, demonstrar capacidade para interpretar o que recebeu.
Isso muda a preparação. Um candidato que recebe uma análise aparentemente convincente precisa conseguir perguntar: os dados realmente sustentam essa conclusão? Há uma informação importante que ficou de fora?
A recomendação responde ao problema apresentado? Em outras palavras, a IA produz material para o raciocínio. Ela não elimina o raciocínio.
Um dos pontos mais relevantes da nova dinâmica é justamente a avaliação da qualidade do julgamento do candidato.
A ferramenta pode entregar informações rapidamente, mas cabe à pessoa decidir o que é relevante, questionar inconsistências e transformar o conteúdo em uma recomendação coerente.
Para quem está se preparando para processos seletivos, isso exige outra postura diante das ferramentas generativas.
Em vez de perguntar apenas “qual é a resposta?”, vale treinar perguntas como:
“Quais premissas desta análise podem estar erradas?”
“Que informações estão faltando para tomar uma decisão?”
“Existe outra interpretação possível?”
“Como eu verificaria esta conclusão?”
Esse tipo de interação aproxima o uso da IA do que acontece no trabalho: o profissional não é remunerado apenas para receber informação, mas para decidir o que fazer com ela.
Entenda o que recrutadores e ferramentas de IA avaliam em candidatos. Garanta sua inscrição gratuita
O movimento da McKinsey também reforça uma característica dos processos seletivos mais competitivos: o caminho utilizado para chegar à resposta pode importar tanto quanto a resposta final.
Uma pessoa pode chegar a uma boa conclusão por acaso. Outra consegue explicar quais hipóteses levantou, quais informações descartou e por que escolheu determinado caminho.
É esse raciocínio que atividades práticas procuram revelar. O Mignone Center for Career Success, de Harvard, orienta candidatos a entender que entrevistas servem para avaliar qualificações, comunicação, maturidade profissional e capacidade de mostrar como suas habilidades podem atender às necessidades da posição.
Por isso, diante de uma atividade envolvendo IA, não basta permanecer em silêncio enquanto a ferramenta trabalha. O candidato precisa conseguir comunicar o próprio raciocínio.
O mercado está mais competitivo, e quem entende como os processos seletivos funcionam sai na frente.
Neste curso online e gratuito, você aprende a estruturar sua narrativa profissional, melhorar currículo e LinkedIn, se preparar para entrevistas e usar IA de forma estratégica em cada etapa da seleção.