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Will Bank: o colapso da confiança bancária e seus efeitos

Intervenção no Will Bank revela falhas na proteção a correntistas e reacende o debate sobre inclusão financeira

 (MF3d/Getty Images)

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Da Redação
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Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 10h00.

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Por André Franco*

A recente intervenção do Banco Central no Will Bank trouxe à tona uma questão fundamental sobre a natureza da liquidez bancária e os limites dos mecanismos de proteção ao consumidor financeiro no Brasil. O caso merece análise cuidadosa, especialmente quanto ao seu impacto sobre populações financeiramente vulneráveis e as implicações para o futuro da inclusão financeira.

A decisão do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de não cobrir valores mantidos em contas correntes, limitando a proteção a investimentos qualificados, evidenciou uma assimetria importante: enquanto investidores receberão seus recursos em até 60 dias, correntistas enfrentam prazos indeterminados que podem se estender por meses ou anos, aguardando a conclusão dos processos de liquidação.

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Esta situação desafia a premissa fundamental de uma conta-corrente: liquidez imediata. Recursos destinados a despesas cotidianas e reservas de emergência tornaram-se inacessíveis justamente quando mais necessários, revelando que a disponibilidade de fundos em contas correntes de fintechs está sujeita a riscos institucionais significativos, mesmo em ambientes regulados.

O perfil de alguns dos correntistas afetados revela uma dimensão social crítica frequentemente negligenciada em análises sobre crises bancárias. Afinal, uma parcela significativa dos clientes do Will Bank não escolheu a instituição por estratégia de diversificação ou análise competitiva de produtos, utilizavam o banco por absoluta necessidade. Para este público, a instituição representava não uma opção adicional, mas uma única porta de acesso ao sistema financeiro formal.

A crise expõe, portanto, um problema estrutural: quando bancos tradicionais exercem seleção restritiva, instituições digitais absorvem concentrações desproporcionais de clientes considerados de maior risco. A intervenção em uma destas instituições não apenas congela recursos, mas pode voltar a excluir financeiramente populações já vulneráveis, criando um ciclo de marginalização.

Diante deste cenário, cabe examinar as tecnologias financeiras descentralizadas não apenas como ferramentas de diversificação de risco, mas como soluções potenciais para problemas fundamentais de inclusão financeira e autonomia patrimonial.

Stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias, apresentam características que endereçam diretamente os problemas evidenciados pelo caso Will Bank entre elas acesso sem intermediários e autocustódia e controle direto. Além disso, o ecossistema de Finanças Descentralizadas (DeFi) oferece protocolos de empréstimo, poupança e troca de ativos operando através de contratos inteligentes auditáveis. Estas plataformas funcionam de forma automatizada e transparente, sem análises de crédito ou critérios de aprovação centralizados.

Para populações excluídas do sistema bancário tradicional, esta arquitetura representa não apenas conveniência tecnológica, mas principalmente a democratização genuína do acesso a serviços financeiros básicos. Plataformas emergentes combinam interfaces intuitivas similares a bancos digitais com infraestrutura blockchain e princípios de auto custódia. Esta convergência oferece usabilidade comparável ao sistema tradicional com maior autonomia sobre recursos e eliminação de barreiras de entrada com base em históricos financeiros.

Além disso, a hibridização junto ao sistema financeiro tradicional permitiria aproveitar vantagens de cada arquitetura, conveniência e proteções regulatórias dos sistemas tradicionais, autonomia e inclusão universal das soluções descentralizadas, enquanto se mitiga vulnerabilidades específicas de cada modelo.

Em suma, para os milhares de brasileiros afetados pela intervenção no Will Bank, resta aguardar a conclusão dos processos de liquidação. Para aqueles que dependiam da instituição como única alternativa bancária, a situação impõe dupla penalização: congelamento de recursos e retorno à exclusão financeira.

Para o setor como um todo, o episódio serve como lembrete sobre a natureza jurídica de depósitos em contas correntes e os riscos inerentes a qualquer forma de custódia por terceiros. Mais importante, evidencia que discussões sobre inclusão financeira precisam considerar não apenas o acesso inicial ao sistema, mas a resiliência e sustentabilidade deste acesso diante de crises institucionais.

Desse modo, vale a pena reforçar que a diversificação inteligente de recursos e a exploração informada de alternativas tecnológicas emergentes deixam de ser estratégias opcionais para se tornarem componentes essenciais de gestão financeira prudente, especialmente para populações com acesso limitado ao sistema bancário tradicional.

*André Franco é CEO da Boost Research.

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