O que é o metaverso e por que você já vive nele mais do que imagina

Metaverso é um conceito relativamente novo, e atualmente, o termo representa um mundo aberto, compartilhado e tridimensional. Entenda como ele funciona e porque podemos já estar nele
No metaverso, os usuários podem explorar e interagir com conteúdo e outras pessoas por meio de avatares (MR.Cole_Photographer/Getty Images)
No metaverso, os usuários podem explorar e interagir com conteúdo e outras pessoas por meio de avatares (MR.Cole_Photographer/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 20/04/2022 às 07:55.

Por André Portilho*

@anportilho

A essa altura, você já deve ter ouvido falar do metaverso. E provavelmente quando escuta essa palavra imagina uma pessoa equipada com uma parafernália de acessórios, interagindo com um ambiente de realidade virtual. Pois é... hoje eu estou aqui para te dizer que não é nada disso.

De acordo com o Wikipédia, o termo Metaverso tem sua origem 1992 em um livro de ficção científica e vem da junção de Meta que vem do grego “além”, “transcendente” e universo. Ou seja, um universo transcendente, paralelo onde as pessoas poderiam criar personagens e viver uma outra vida, sem as limitações humanas e materiais que temos no mundo real. Como podemos ver, essa ideia de metaverso está longe de ser uma novidade. O Second Life, por exemplo é um jogo que existe com essa proposta desde 2003.

A diferença é que com o avanço da tecnologia as possibilidades desse mundo virtual começam a ficar mais palpáveis. O próprio Facebook mudou seu nome para Meta apostando nisso.

(Mynt/Divulgação)

No Crypto Insigths de hoje vamos focar em três vertentes a respeito do Metaverso:

A primeira, é que a tecnologia embora esteja evoluindo rapidamente, ainda está longe de trazer uma boa experiência para o usuário. Fazer uma reunião on-line com óculos de realidade virtual, luvas ou joysticks para estar em um ambiente onde avatares interagem entre si é pior e menos eficiente do que um reunião por Zoom ou presencial.

Da mesma forma, fazer compras em um supermercado virtual que replica o real é pior do que as experiências de comprar no supermercado real ou de fazer compras on-line nas plataformas atuais. Sim, a tecnologia vai evoluir, mas existe uma tendência a superestimar a evolução da tecnologia no curto prazo e subestimar essa evolução no longo prazo, é importante conter a ansiedade a respeito do assunto.

A segunda vertente é que há uma questão geracional quando falamos de metaverso. Muitas dessas questões que estamos vendo requerem uma grande mudança de comportamento para ganhar tração e mesmo com a aceleração que a tecnologia traz, algumas mudanças só acontecem de geração para geração.

A terceira é que se a gente parar para pensar, já vivemos parcialmente em uma espécie de metaverso. O seu avatar nas redes sociais é um personagem diferente de você que interage em um mundo virtual com outros personagens também diferentes de quem são na vida real. Se olharmos a questão geracional mais de perto e observarmos o comportamento das crianças e adolescentes de hoje, vamos ver que parte do mundo deles já é no metaverso.

Quando seu filho já joga mais Fifa on-line com os amigos do que a pelada tradicional, ou quando a sua filha navega naturalmente no Minecraft e Roblox socializando, comprando produtos digitais com moedas virtuais com as amigas e amigos, comprovamos isso. E mais, vemos que metaverso não tem nada a ver com apetrechos e parafernálias de realidade virtual. Tem a ver com diversão e sociabilidade. Só com isso deixará de ser moda para se tornar algo real e presente no nosso dia a dia. É por isso que os jogos são onde vemos mais evolução e observar o seu desenvolvimento é fundamental para entender os caminhos que o metaverso vai tomar.

Por fim, é importante acompanhar se essa evolução vai ser ditada por empresas grandes e centralizadas como Meta e Microsoft ou se vamos caminhar para um mundo mais descentralizado liderado por novas organizações e com crypto tendo um papel central nessa evolução.

Um abraço e até o próximo Crypto Insights.

*André Portilho é o head de Digital Assets do banco BTG Pactual

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