Maior corretora cripto do mundo interrompe oferta de derivativos no Brasil

Binance anuncia interrupção da oferta de derivativos para clientes brasileiros "em respeito à legislação do país"; empresa enfrenta pressão de reguladores em vários países

A corretora Binance interrompeu a oferta de contratos futuros de criptoativos e outros produtos do mercado de derivativos para clientes brasileiros na última sexta-feira, 20. Segundo a empresa, a "decisão foi tomada como parte da sua abordagem de trabalho colaborativo com reguladores do mundo todo e em respeito à legislação do país".

"Revisamos e atualizamos nossas ofertas de produtos em todas as regiões continuamente com base nas solicitações dos usuários e requisitos regulatórios locais. Para respeitar a ordem brasileira, a Binance implementou restrições em nosso site e interrompeu a comercialização de produtos derivativos. Se houver novas mudanças, iremos avaliar e nos envolver proativamente com as partes interessadas relevantes para encontrar as soluções ideais para os usuários locais" afirmou a empresa, em nota, após a divulgação da notícia pelo Portal do Bitcoin, confirmada pela EXAME.

 

A plataforma de derivativos da Binance inclui ofertas de contratos futuros, opções, negociações com margem e alavancagem, e o seu funcionamento já foi suspenso em uma série de países devido às incertezas e pressões regulatórias.

Maior corretora de criptoativos do mundo por volume diário de negociação, a Binance enfrenta problemas em diversos mercados onde atua. Nos Estados Unidos, onde tem uma plataforma específica para o país, chamada Binance.US, a companhia já enfrentou investigação do Departamento de Justiça; no Reino Unido, foi obrigada a suspender sua oferta de serviços; na Malásia, foi banida; na Alemanha, na Itália e na Holanda, interrompeu a oferta de derivativos. O Japão é outro país que já entrou em atrito com a companhia.

Apesar disso, a Binance continua liderando o mercado global, com concorrentes de peso como Coinbase, FTX, Huobi, Kraken e KuCoin - todas com volume diário superior a 1 bilhão de dólares em negociações. No Brasil, a Binance também lidera o setor, seguida por NovaDAX, BitcoinToYou, Mercado Bitcoin, FTX, Coinext e Foxbit, entre outras, segundo dados do Cointrader Monitor.

Em julho de 2020, a corretoria já havia sido alertada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a irregularidade da oferta de derivativos no país. De acordo com a autarquia, a Binance não tinha autorização para esse tipo de negociação, estipulando multa diária caso a empresa não interrompesse a oferta.

Desta vez, a oferta de contratos futuros foi realmente suspensa, porém apenas na versão em português da plataforma - isso significa que brasileiros que utilizam a versão global da corretora, em inglês, ainda têm acesso aos produtos do mercado de derivativos.

"A Binance está pronta para ajudar os reguladores de todo o mundo e, juntos, encontrarmos a maneira ideal de definir um campo de jogo justo para proteger os usuários e atender às necessidades dos mesmos. Queremos criar um ecossistema sustentável em torno da tecnologia blockchain", diz o comunicado da empresa.

O Brasil está se movimentando para regulamentar as criptomoedas. Em evento online realizado na última quinta-feira, 19, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que BC e  CVM têm discutido a regulamentação do setor.

Durante o evento, promovido pelo Conselho das Américas, Campos Neto disse que, nos mercados emergentes, bitcoin e ether são mais explorados como investimentos do que como pagamentos, ao mesmo tempo em que destacou o crescimento do interesse por stablecoins. “É importante informar que isso surge de uma necessidade que as pessoas têm de que os pagamentos sejam rápidos, abertos, seguros e com transparência em todos os sentidos”, disse.

 

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 4,90/mês
  • R$ 14,90 a partir do segundo mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 129,90/ano
  • R$ 129,90 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 10,83 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Veja também