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Governo dos EUA tem prejuízo de US$ 5 bilhões com queda do bitcoin

Desvalorização do mercado cripto também pressiona a Strategy, empresa listada em bolsa que mais investe em bitcoin e teve prejuízo de US$ 12,4 bilhões

 (Reprodução/Reprodução)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 17h30.

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A recente correção do mercado de criptomoedas passou a atingir não apenas investidores privados, mas também estruturas institucionais com forte exposição ao bitcoin. Nos Estados Unidos, a reserva estratégica de bitcoin do governo já acumula perdas próximas de US$ 5 bilhões desde sua criação, enquanto a Strategy, empresa conhecida por sua política agressiva de acumulação do ativo, revelou um prejuízo trimestral de US$ 12,4 bilhões em meio à queda dos preços.

O cenário reforça como a volatilidade do bitcoin pode gerar impactos relevantes quando a estratégia envolve alavancagem e concentração excessiva em um único ativo.

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Reserva de bitcoin dos EUA desvaloriza

A reserva estratégica de bitcoin do governo americano foi criada no ano passado e, inicialmente, era avaliada em cerca de US$ 18,5 bilhões. Após a queda de aproximadamente 45% do bitcoin em relação ao seu pico, o valor atual do estoque caiu para cerca de US$ 13,8 bilhões, representando uma perda próxima de US$ 5 bilhões.

Mesmo com a desvalorização, a administração Trump mantém a posição de não liquidar os ativos. O argumento central é que a volatilidade de curto prazo não invalida o potencial de retorno no longo prazo. A estratégia parte do princípio de que o bitcoin pode se valorizar com o tempo e funcionar como um componente alternativo dentro das reservas públicas.

Críticos, no entanto, apontam que a queda evidencia os riscos de utilizar recursos públicos para manter ativos altamente voláteis. Para esse grupo, oscilações bruscas podem comprometer a previsibilidade do patrimônio do governo e expor o contribuinte a perdas difíceis de justificar em momentos de instabilidade do mercado.

Strategy amplia preocupações no setor

Ao mesmo tempo em que o governo enfrenta perdas contábeis, a Strategy, antiga MicroStrategy, divulgou números que intensificaram a tensão no mercado. No quarto trimestre de 2025, a companhia reportou um prejuízo líquido de US$ 12,4 bilhões. No dia da divulgação do balanço, as ações caíram cerca de 17% e, desde o pico registrado em novembro de 2024, já acumulam queda próxima de 80%.

A empresa atribui o resultado principalmente à adoção das regras de contabilidade de valor justo, que obrigam a reavaliar todas as posições em bitcoin a preços de mercado ao final de cada trimestre. Com isso, as variações do ativo passam a impactar diretamente o demonstrativo de resultados.

O custo total da Strategy para manter suas reservas de bitcoin chegou a US$ 54,26 bilhões, com preço médio de US$ 76.052 por moeda. Com o bitcoin ao redor de US$ 65 mil, a perda não realizada ultrapassa US$ 7,8 bilhões, ampliando a pressão sobre o balanço da companhia.

Alavancagem e dependência do bitcoin

Embora a Strategy ainda possua um negócio de software de análise de dados, esse segmento passou a ter papel secundário. No quarto trimestre de 2025, a receita total foi de US$ 123 milhões, alta de 1,9% em base anual, enquanto a margem bruta ficou em 66,1%. Ainda assim, o próprio CEO, Phong Le, afirmou que o foco da empresa está concentrado na aquisição e alavancagem de bitcoin.

A companhia opera com cerca de US$ 6 bilhões em dívida líquida e um índice de alavancagem de aproximadamente 13%. Segundo Le, em um cenário extremo no qual o bitcoin caia 90%, para US$ 8 mil, o valor das reservas se igualaria à dívida líquida, o que poderia exigir reestruturação, emissão de novas ações ou aumento do endividamento.

A empresa também informou que possui cerca de US$ 2,25 bilhões em reservas em dólares como proteção, mas esse montante funcionaria apenas como uma cobertura temporária caso o mercado de baixa se prolongue.

O modelo de “alavancagem infinita”

Analistas destacam que o modelo de negócios da Strategy depende de um ciclo contínuo de valorização do bitcoin e de acesso constante ao mercado de capitais. A lógica é simples: com as ações negociadas com prêmio sobre o valor das reservas, a empresa consegue emitir novos papéis, captar recursos e comprar ainda mais BTC.

Esse mecanismo é acompanhado pelo indicador mNAV, que compara o valor de mercado da empresa com o valor de suas reservas em bitcoin. Atualmente, o mNAV está em torno de 1,07. Caso caia abaixo de 1, a capacidade de financiamento pode ser comprometida, reduzindo a possibilidade de levantar recursos sem diluição severa.

Além disso, a Strategy emitiu ações preferenciais perpétuas, como a STRC, que hoje oferecem rendimento de cerca de 11,25%. Embora atrativo, esse retorno carrega risco elevado, pois depende diretamente da continuidade da estratégia de acumulação de bitcoin e da estabilidade financeira da empresa.

Riscos sistêmicos e efeito no mercado

O ponto central de preocupação é o potencial ciclo negativo: queda do bitcoin reduz o valor das reservas, pressiona o patrimônio da empresa, limita o acesso a financiamento e, em um cenário extremo, pode forçar vendas de BTC para cobrir obrigações. Isso aumenta a pressão vendedora no mercado e retroalimenta novas quedas.

Enquanto isso, o prejuízo da reserva americana mostra que a exposição institucional ao bitcoin deixou de ser apenas um experimento privado. Com governos e grandes empresas envolvidos, oscilações do ativo passam a ter implicações mais amplas, tanto financeiras quanto políticas.

A combinação entre perdas públicas e dificuldades de empresas altamente alavancadas sugere que o atual ciclo de correção do bitcoin vai além de um movimento técnico. Ele expõe os limites de estratégias baseadas em valorização contínua e reforça o debate sobre risco, volatilidade e sustentabilidade do uso do bitcoin como reserva de valor em larga escala.

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