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Gestora desafia pessimismo e prevê bitcoin a US$ 100 mil em 2026

Especialista enxerga exagero no pessimismo relacionado a fatores como a saída de capital de ETFs e a venda de BTCs da Strategy

 (Reprodução/Reprodução)

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Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 9 de junho de 2026 às 15h50.

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Mesmo com o bitcoin em queda de 30% no ano e de mais de 50% desde a máxima histórica, a gestora 21Shares continua a acreditar que a criptomoeda vai virar o jogo em 2026. Em relatório, o analista Maximiliaan Michielsen, da equipe de research da 21Shares, reafirma a projeção de que o BTC alcançará os US$ 100 mil, embora não descarte a possibilidade de uma queda até os US$ 50 mil

Segundo Michielsen, os acontecimentos negativos para o bitcoin vieram em sucessão na semana passada. Os investidores tiveram pouco tempo para lidar com a primeira venda de bitcoins realizada pela Strategy desde 2022, o rompimento do cessar-fogo entre Israel e Irã, e uma sequência de saídas de capital milionárias dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de BTC à vista.

Todavia, para cada um desses eventos, o analista considera que a reação do mercado foi “desproporcional”.

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Pessimismo exagerado

Em relação à Strategy, por exemplo, Michielsen lembra que a venda de 32 bitcoins realizada na última semana foi a única em mais de 100 operações da empresa de capital aberto norte-americana e que o tamanho da transação foi “praticamente imaterial” perto de todas as compras. No entanto, o mercado, de acordo com ele, recebeu a informação de modo desproporcionalmente negativo.

Já sobre os fluxos negativos nos ETFs, o analista destaca que os mais de US$ 4 bilhões retirados deste tipo de fundo nos EUA não fizeram mais do que deixar os balanços dos ETFs 7% abaixo de sua máxima histórica.

Assim, o ponto de maior atenção realmente fica com a contaminação do mercado cripto pelo cenário geopolítico. Principalmente depois que Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) dos EUA incluiu a maior corretora de ativos digitais do Irã, a Nobitex, na campanha “fúria econômica”, que introduz o risco de liquidação de carteiras sancionadas.

Tudo isso ocorre, conforme ressalta o analista da 21Shares, enquanto os projetos de inteligência artificial continuam a absorver a maior parte do capital dos investidores. “Empresas individuais como SK Hynix e Micron ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez, atraindo liquidez e atenção para longe do mercado de criptomoedas”, avalia.

Indicadores

Usando análise gráfica, Michielsen diz que a região dos US$ 78 mil hoje é a convergência entre a mediana do mercado e a média móvel de 200 dias, tornando-se a zona de resistência mais forte do momento.

“Uma recuperação é condição necessária para uma mudança no ímpeto. No lado negativo, US$ 60 mil é o suporte estrutural que coincide com a média móvel de 200 semanas e o preço realizado”, aponta.

Por outro lado, o analista destaca que os ativos de investidores de longo prazo estão perto das máximas e subindo US$ 15 bilhões até agora. Além disso, a queda de 50% da máxima histórica está longe dos 80% de desvalorização registrados em outros ciclos.

O número de bitcoins enviados de carteiras de autocustódia para exchanges também está abaixo do registrado na forte queda de fevereiro.

Fora isso, projetos cripto dotados de bons fundamentos como a Hyperliquid continuam a atrair capital, como mostra a alta de 100% da criptomoeda HYPE em 2026.

Cenário de alta ou de baixa

A 21Shares vê alta probabilidade para um cenário de alta em que o bitcoin defende seu suporte estrutural nos US$ 60 mil, retoma os US$ 78 mil no fechamento semanal e reabre o caminho de ganhos para US$ 82 mil a US$ 85 mil.

Neste caso, o mercado também poderia ver a onda de saques dos ETFs se exaurir e o projeto de lei de regulamentação de criptoativos dos EUA, chamado Clarity Act, ser aprovado no Congresso. Se isso se concretizar Michielsen vê um retorno do bitcoin aos US$ 100 mil por unidade.

Já em um pouco provável, mas possível cenário de baixa, a rotação de valor relativo não se materializaria, pois a incerteza geopolítica persistiria e o capital permaneceria concentrado em IA.

Se isso ocorrer, a 21Shares projeta uma queda decisiva abaixo de US$ 62 mil, que buscaria o piso estrutural de US$ 50 mil a US$ 55 mil.

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