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Ethereum venceu como tecnologia e está perdendo como ativo

Ethereum vence na tecnologia, mas perde na narrativa de retorno com usuários e taxas migrando para as redes de segunda camada

 (Reprodução/Reprodução)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 11h00.

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Por Gabriel Fauth*

Durante anos, o Ethereum foi vendido como o “computador mundial”. Escalável, seguro, descentralizado. A promessa agora é parcialmente cumprida e esse é justamente o problema.

Do ponto de vista técnico, o Ethereum venceu. As soluções de segunda camada (L2s) funcionam, reduzem taxas, aumentam throughput e melhoram a experiência do usuário. Arbitrum, Optimism, Base e companhia entregam o que a rede principal jamais conseguiu sozinha. Isso trouxe escalabilidade para a blockchain, deu oportunidade a desenvolvedores e trouxe confiança aos usuários.

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A lógica original era simples: quanto mais uso da rede, maior a demanda por ETH (taxas, staking, queima). Mas o que aconteceu foi o oposto, as L2s capturam usuários, volume e receitas, enquanto a L1 vira uma espécie de “tribunal de última instância”, usada para liquidação e segurança, mas cada vez menos para transações diretas.

O resultado disso são menos taxas, menos queima, menos pressão compradora estrutural.

Então  do ponto de vista econômico, o valor do Ethereum começa a perder sua razão de existir, e o ativo negociado passa a ser irrelevante. Em outras palavras, o Ethereum virou uma excelente infraestrutura, mas uma infraestrutura ruim para investir, ao menos na ótica do investidor cripto que busca grandes retornos.

É claro que infraestruturas são fundamentais, mas raramente são ativos com performance explosiva no longo prazo. Estradas, redes elétricas e protocolos-base geram valor sistêmico, não necessariamente retorno assimétrico para quem detém o ativo subjacente. Esses são conhecidos na bolsa de valores como Utilities.

Enquanto isso, concorrentes como Solana surfam a narrativa oposta: menos camadas, mais simplicidade, mais atividade on-chain diretamente capturada pelo token. Não é uma discussão sobre qual tecnologia é melhor, mas sobre onde o valor econômico está ficando.

O staking também não resolve tudo. Ele reduz oferta circulante, mas não cria demanda nova. Sem crescimento claro de receitas da L1, o ETH corre o risco de se tornar um ativo “bem comportado”: menos volátil, mais previsível e menos interessante para quem busca retorno acima da média. A crise de identidade do Ethereum é financeira.

Para mudar essa figura, o ether precisa encontrar uma forma clara de recentralizar a captura de valor, ou o mercado fará isso por conta própria, precificando o token como aquilo que ele está se tornando: o ativo de uma infraestrutura madura, essencial… e sem narrativa de crescimento agressivo.

É importante ressaltar que isso não é um problema que coloca o Ethereum em xeque, mas um amadurecimento no mercado cripto. E o investidor que não entender essa diferença vai continuar confundindo adoção com valorização.

*Gabriel Fauth é operador de mercados futuros há 7 anos e é um dos contribuidores de análises e avaliações de mercado na comunidade do TradingView. O TradingView é uma ferramenta de gráficos para execução e análise do mercado, além da maior rede social para investidores e Traders. 

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