Colheita de soja em Mato Grosso: o preço do grão aumentou 19% em relação ao ano passado (Getty Images//iStockphoto)
Repórter de Mercados
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 11h00.
A BrDU Urbanismo, especializada em loteamentos e condomínios horizontais, inicia um novo ciclo de crescimento com capital reforçado e estratégia geográfica mais definida. Após recomprar 100% da empresa, a JFG Construções e Participações — holding goiana do setor imobiliário — aportou R$ 120 milhões na urbanizadora, que agora mira até R$ 1,2 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) até 2027.
A operação marca o retorno da BrDU ao controle total da holding da qual já havia sido sócia majoritária entre 2012 e 2018. A empresa, fundada em 2010, especializou-se em loteamentos residenciais e condomínios horizontais, chegando a operar em oito estados com VGV anual de R$ 250 milhões.
“Identificamos uma oportunidade. Os sócios queriam vender, nós já conhecíamos a empresa e a gestão da companhia”, afirma Gabriel Fortes, sócio da BrDU. “Mantivemos todo o pessoal e a estrutura, e crescemos ela. Gostamos do setor de urbanização, combina com a nossa visão de longo prazo.”
A nova fase da BrDU é liderada por Fortes, ao lado do CEO Antenor Reis e da diretora administrativa e financeira Valéria Sahium. Segundo ele, o modelo de atuação com capital próprio, decisões ágeis e visão patrimonial — típico de family offices — é mais aderente ao setor de loteamentos, marcado por alta complexidade regulatória e longos ciclos de maturação.
“Modelos industriais ou fundos com prazos curtos enfrentam dificuldades no setor. Nosso formato garante resiliência e perenidade”, afirma.
Além de reforçar o capital, a nova fase da empresa também envolveu rebranding, nova sede corporativa em Goiânia, investimento em governança e duplicação do landbank. O plano estratégico inclui ainda o primeiro roadshow de prospecção nos dois estados prioritários.
A BrDU tem presença consolidada em 13 cidades de oito estados, incluindo Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, São Paulo, Pará, Maranhão e Bahia. Mas o foco agora está mais concentrado no centro-Oeste, "por causa da economia mais pujante e estável”, diz Fortes. “Além disso, temos maior conhecimento regional por nossa parte, pois estamos sediados em Goiânia.”
Ele afirma que a região vem demonstrando força econômica contínua. “Enxergamos uma economia pujante há muitos anos. Nos últimos 20 anos, o crescimento do PIB do Centro-Oeste brasileiro tem sido significativamente superior à média nacional, consolidando a região como um motor de expansão econômica alavancado pelo agronegócio”, diz.
Enquanto a economia nacional alternou períodos de baixa ou recessão, o Centro-Oeste disparou — com destaque para o Mato Grosso, que teve crescimento nominal superior a 1.230% no período. É lá que a BrDU já soma quatro empreendimentos em Tangará da Serra: Parque do Bosque, Parque da Mata, Reserva do Parque e Reserva do Parque 2. Juntos, somam 3,3 mil lotes e um VGV acumulado superior a R$ 450 milhões.
No Mato Grosso, a companhia busca por cidades acima de 30 mil habitantes por causa do crescimento populacional. Já no restante da região, olham para cidades acima de 100 mil habitantes.
Desde os respectivos lançamentos, os empreendimentos da urbanizadora acumularam forte valorização imobiliária: 180% no Parque da Mata, 160% no Parque do Bosque, 105% na primeira fase da Reserva do Parque e 32% na segunda fase, lançada em novembro de 2024.
Sobre os tipos de projeto, Fortes diz que a BrDU seguirá exclusivamente no desenvolvimento urbano horizontal. “Buscamos áreas para loteamentos abertos e condomínios fechados. O foco da BrDU é somente urbanismo, não olhamos para incorporações verticais”, afirma. “A nossa holding JFG Construções e Incorporações faz incorporações em Goiânia. É mais uma questão de foco mesmo, uma estratégia interna.”
Com mais de 8 milhões de metros quadrados urbanizados, 200 quilômetros de vias pavimentadas, 1 milhão de metros quadrados de áreas verdes preservadas e mais de 300 mil metros quadrados de áreas de lazer implantados, a BrDU já entregou 18 mil unidades em oito estados brasileiros. O VGV total acumulado ultrapassa os R$ 2 bilhões.
A empresa reforça que o novo ciclo será voltado à classe média, com projetos que integrem infraestrutura urbana, sustentabilidade e geração de valor local.
“Chegamos aos 15 anos com uma estrutura mais ágil, capitalizada e preparada para crescer de forma sustentável”, afirma Valéria Sahium.