Future of Money

Empresas cripto e fintechs se juntam contra mudança em norma da CVM

Trecho da minuta de atualização da CVM 88 pode inviabilizar a prática do warehousing, de acordo com associações

 (Getty Images/Reprodução)

(Getty Images/Reprodução)

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 16 de junho de 2026 às 17h03.

Última atualização em 16 de junho de 2026 às 17h10.

Tudo sobreCVM
Saiba mais

As associações e entidades que representam empresas do setor de criptoativos e fintechs se manifestaram em nota contra uma minuta enviada para a reforma da resolução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que trata de crowdfunding e tokenização.

  • Aproveite até 60% de desconto na taxa de corretagem com a Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual. Por tempo limitado! Abra sua conta e se torne um cliente VIP. Cupom: FOM26.

O protesto das entidades se dá contra uma restrição que aparece no art. 8º da minuta e que, na visão das associações, poderia inviabilizar a prática do chamado warehousing, no qual o gestor de um fundo acumula ativos para dar tamanho a eles antes de levar a mercado.

Segundo a minuta da CVM, cada patrimônio separado é considerado individualmente na apuração do limite anual de captação de R$ 50 milhões para companhias securitizadoras. Com isso, fica proibida a realização de nova oferta do mesmo tipo e no mesmo ano quando ela for ligada a direitos creditórios de um único cedente ou cedentes sob controle comum; ou a um único devedor ou devedores sob controle comum.

De acordo com a nota, essa vedação não deveria se aplicar aos casos em que houver warehousing. Ou seja, quando o gestor estiver adquirindo gradualmente direitos creditórios para montar uma carteira com ativos de diferentes relações de risco e retorno.

Por que a CVM 88 é importante?

As ofertas de títulos realizadas conforme a resolução CVM 88 contam com uma série de dispensas regulatórias, o que as torna menos custosas. Não é preciso passar pelo processo tradicional de registro da oferta pública, a emissora não precisa ser uma empresa de capital aberto e também não precisa contratar participantes como coordenador líder, sindicato de distribuição, escriturador e assessores especializados.

Com isso, a resolução 88 tornou-se um instrumento importante de financiamento para empresas menores (sem um tamanho que torne viável a abertura de capital) que querem buscar um capital com juros mais baratos do que os cobrados pelos bancos.

Hoje, as ofertas de dívida tokenizada (registrada em blockchain) a investidores estão abarcadas pela resolução 88 como uma forma de incluir a tokenização na regulação oficial da CVM.

Nota também critica aplicação da Resolução 60

Outro ponto de oposição das entidades é a aplicação de todas as normas da Resolução CVM nº 60, o marco regulatório que rege as companhias securitizadoras e as emissões de títulos de securitização no Brasil, às securitizadoras que operam via crowdfunding.

De acordo com as entidades, a CVM trouxe avanços regulatórios que permitiram ao mercado de crowdfunding crescer de R$ 7 milhões em 2022 para R$ 4,9 bilhões em volume de dívida entre 2023 e 2025, mas as disposições da minuta podem “comprometer significativamente essa trajetória de desenvolvimento”.

“A manutenção desses dispositivos nos termos atualmente propostos pode restringir de forma relevante o financiamento via crowdfunding de recebíveis no Brasil. Como resultado, corre-se o risco de que anos de construção de mercado sejam prejudicados, que investidores de varejo sejam afastados do mercado de capitais e que a democratização do acesso ao mercado de capitais seja revertida, afastando pequenas e médias empresas em todo o país e reduzindo seu acesso ao crédito”, diz a nota conjunta.

Estão juntas na manifestação a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), Associação Brasileira de Crowdfunding de Investimento (CrowdInvest), Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken) e o Instituto Livre Mercado.

Somadas, as entidades possuem mais de 800 associados e representam perto de 90% do market share do setor.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube  Tik Tok

Acompanhe tudo sobre:TokenizaçãoCrowdfundingCVM

Mais de Future of Money

Blockchain é forte aliado no combate a crimes financeiros

O mercado financeiro brasileiro precisa de infraestrutura tão ambiciosa quanto sua inovação

Métrica de oferta do bitcoin emite 1º sinal de 'compra' desde o fim de 2022

Banco dos EUA reduz preço-alvo do bitcoin de US$ 112 mil para US$ 82 mil