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Em US$ 66 mil, bitcoin busca estabilização

Maior criptomoeda do mundo atrai investidores de longo prazo em movimento de estabilização após queda expressiva

 (Reprodução/Reprodução)

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Mariana Maria Silva
Mariana Maria Silva

Editora do Future of Money

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 10h15.

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Nesta quinta-feira, 19, o bitcoin é negociado "de lado", com pouca variação de preço nas últimas 24 horas. A maior criptomoeda do mundo oscilou entre US$ 66 e US$ 69 mil nos últimos sete dias, sem voltar a apresentar novas quedas significativas.

Apesar disso, o sentimento do mercado ainda é de "medo extremo". O Índice de Medo e Ganância, utilizado para medir o sentimento do mercado cripto, tem uma de suas pontuações mais baixas nesta quinta-feira, 19, em 9 pontos.

No momento, o bitcoin é cotado a US$ 66.393, com queda de 0,1% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos sete dias, a criptomoeda acumula queda de 2%.

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"O bitcoin tenta se estabilizar após o movimento de capitulação registrado em 5 de fevereiro, quando o preço atingiu a mínima local de US$ 60.100. Desde então, o ambiente macroeconômico ficou mais favorável. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos veio abaixo das expectativas, reforçando a leitura de que o processo de desinflação continua avançando. Com isso, os rendimentos dos Treasuries recuaram, o dólar perdeu força e o mercado passou a projetar até três cortes de juros em 2026, com abril ganhando espaço como possível início do ciclo de afrouxamento. Para ativos que não pagam rendimento, como o bitcoin, a queda nas expectativas de juros reais reduz a pressão macroeconômica", disseram os especialistas da Bitfinex no relatório Bitfinex Alpha, divulgado nesta quinta-feira, 19.

"Do ponto de vista estrutural, o ativo permanece entre dois níveis importantes. Acima, a região próxima de US$ 78.200, associada ao chamado True Market Mean, passou a funcionar como resistência após repetidas tentativas frustradas de recuperação. Abaixo, o preço realizado, em torno de US$ 55 mil, representa uma zona de valor mais profunda do ciclo. Enquanto o bitcoin permanecer dentro dessa faixa, a tendência é de oscilações em um amplo intervalo, com compras nas mínimas e realização de lucros próximo às áreas de maior custo médio", acrescentou o documento.

O bitcoin ainda pode voltar a subir?

"O posicionamento no mercado de derivativos indica que a recente recuperação tem características de estabilização, e não de um movimento impulsionado por excesso de alavancagem. As taxas de financiamento voltaram a níveis neutros, a volatilidade implícita caiu para abaixo de 50% e os prêmios de proteção contra quedas extremas diminuíram, retornando a patamares mais equilibrados. Isso sugere que os investidores deixaram de montar proteções agressivas, mas também não voltaram a assumir risco excessivo", disseram os especialistas da Bitfinex.

"Os dados on-chain reforçam esse tom mais construtivo. Cerca de 18.400 BTC foram retirados de exchanges na última semana, mantendo a tendência de queda nos saldos mantidos em corretoras. Ao mesmo tempo, a quantidade de bitcoins em posse de investidores de longo prazo voltou a crescer após meses de distribuição, alcançando 14,3 milhões de BTC depois de atingir o menor nível em dezembro. Historicamente, o aumento da oferta nas mãos de detentores de longo prazo costuma anteceder períodos de recuperação de preço, indicando que investidores mais convictos estão voltando a acumular durante momentos de fraqueza", acrescentaram.

Cenário macroeconômico

Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, pontuou que o cenário macroeconômico pode ter impacto relevante na situação atual do mercado cripto. Para ele, investidores devem estar atentos aos desdobramentos entre EUA, Irã e Israel, além da situação econômica nos Estados Unidos:

"O cenário externo adiciona ruído relevante. As tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel elevaram o prêmio de risco global e já impactam o petróleo, que subiu de US$ 66 para US$ 70. O Estreito de Ormuz é ponto sensível para a oferta global. Uma escalada poderia reacender pressões inflacionárias, postergando cortes de juros e reduzindo liquidez para ativos de risco", disse.

"A ata do Federal Open Market Committee reforçou a postura cautelosa do Federal Reserve. Apesar de dados recentes de inflação mais benignos, a autoridade monetária busca confirmação consistente antes de iniciar flexibilização. Ao mesmo tempo, as injeções recorrentes de liquidez no sistema bancário, incluindo aporte recente de US$ 18,5 bilhões, funcionam como contraponto, sustentando o pano de fundo de liquidez no médio prazo", concluiu.

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