Future of Money

Como a IA pode aumentar a segurança em contratos inteligentes de blockchain

A inteligência artificial está se consolidando como um componente indispensável na auditoria preditiva de contratos inteligentes

 (Reprodução/Reprodução)

(Reprodução/Reprodução)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 11 de julho de 2026 às 11h00.

Última atualização em 13 de julho de 2026 às 09h20.

Tudo sobreInteligência artificial
Saiba mais

Por Renato Carneiro*

O sistema financeiro brasileiro é reconhecido globalmente pela sua capacidade de inovação e adoção tecnológica acelerada. O país lida hoje com volumes transacionais expressivos: o Pix movimenta cerca de R$ 3 trilhões mensais, enquanto a B3 registra negociações diárias que superam a marca de R$ 29 bilhões no mercado à vista.

Nesse ecossistema de alta liquidez, a expansão da tokenização de ativos reais (RWA) e a modernização da infraestrutura de mercado encontram nos contratos inteligentes seus pilares de automação. Esses códigos regem transferências de valor e liquidações financeiras complexas diretamente em redes distribuídas. Contudo, a sofisticação dessas operações exige uma contrapartida: a segurança das linhas de código que gerenciam esses fluxos de capital.

Diferente dos modelos de sistemas da Web 2.0, nos quais falhas de software são corrigidas com patches de atualização, a infraestrutura de blockchain impõe desafios singulares de governança.

Embora arquiteturas modernas permitam a atualização de contratos inteligentes por meio de padrões pré-configurados, qualquer falha de segurança pode resultar em liquidações forçadas, perda de custódia de ativos e danos sistêmicos imediatos.

A utilidade da IA

É nessa busca pela criação de sistemas com segurança transacional que a Inteligência Artificial se torna indispensável. Ela atua de forma cíclica: desde a validação rigorosa pré-deploy simulando cenários complexos em ambientes de testnet, até o monitoramento contínuo no pós-deploy.

A inteligência artificial está se consolidando como um componente indispensável na auditoria preditiva de contratos inteligentes. É fundamental destacar que a IA não substitui a perícia e o julgamento crítico dos auditores humanos especializados, ela atua como um copiloto de alta performance que potencializa sua eficiência. Parte da vantagem do uso da IA reside em sua capacidade de identificar vulnerabilidades e falhas sutis de código que humanos têm dificuldade de detectar.

Estudos recentes mostram que modelos de linguagem estruturados com métodos avançados de raciocínio, como Chain-of-Thought e Tree-of-Thought, elevam a taxa de captura de bugs a patamares expressivos.

IA casual e explicativa

Outro salto em eficiência pode ser obtido através da IA causal e explicativa. Diferente dos modelos tradicionais que operam por mera correlação estatística, essa abordagem de lógica profunda mapeia as relações de causa e efeito por trás de uma vulnerabilidade. Ao decodificar a raiz do problema e explicar de forma transparente o vetor de ataque, a tecnologia fornece aos auditores humanos um mapa claro para correções rápidas.

Em benchmarks de segurança como CyberChainBench e EVMbench, agentes inteligentes de IA já provaram ser capazes de simular fluxos de ataque e propor patches corretivos antes do deploy definitivo na rede. Essa atuação ganha ainda mais tração no pós-deploy. A tecnologia aprimora a dinâmica de buscas por bugs ao automatizar a triagem de vulnerabilidades reportadas e monitorar anomalias em tempo de execução.

Os agentes ainda podem automatizar a varredura de vulnerabilidades e gerar relatórios aprofundados com simulações de exploração de risco, podendo mitigar riscos operacionais em contratos de derivativos, empréstimos colateralizados e instrumentos de liquidez.

A digitalização acelerada dos mercados financeiros exige um compromisso com a segurança das operações. O uso de inteligência artificial e blockchain não é apenas um conceito de inovação futurista, mas sim uma possibilidade de infraestrutura técnica essencial para garantir a estabilidade transacional, a proteção de patrimônio sob custódia e a eficiência operacional de que o ecossistema brasileiro precisa para liderar tendências globais.

*Renato Carneiro é desenvolvedor sênior do centro de excelência em blockchain do Venturus 

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube  Tik Tok  

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificialBlockchainTokenização

Mais de Future of Money

Divergência entre preços e fundamentos nas criptomoedas nunca foi tão grande, diz Hashdex

Bitcoin amplia queda após venda de BTCs pela Strategy se somar a crise da Coldcard

BTG acelera em cripto, incorpora Mynt e expande oferta de produtos no setor

Quanto bitcoin você precisa ter para se aposentar?