Representação do bitcoin (crédito: Erling Løken Andersen/Unsplash)
Editor do Future of Money
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 10h58.
Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 11h09.
O bitcoin opera em queda nesta segunda-feira, 3, continuando as perdas da semana passada, que foram provocadas pelo ataque hacker a carteiras físicas de criptomoedas da Coldcard. Hoje, o mau humor é intensificado pelo anúncio da venda de 1.638 bitcoins pela Strategy, maior empresa de capital aberto compradora de BTC do mundo.
A Strategy informou que vendeu o equivalente a US$ 104,7 milhões de bitcoins a um preço médio de US$ 63.957 por criptomoeda. Agora, a companhia possui 842.138 bitcoins em caixa a um preço médio de compra de US$ 75.419. Em postagem na rede social X, Twitter, a empresa disse que também aumentou em US$ 250 milhões suas reservas em dólar e recomprou US$ 81 milhões nas suas ações preferenciais STRC.
Do lado da Coldcard, a crise continua com diversos relatos de usuários que tiveram seus bitcoins roubados apesar de usarem uma carteira de hardware desconectada da internet. Outros dispositivos de autocustódia, como Ledger, Trezor e Tangem não foram afetados, mas a confiança em wallets sofreu um abalo.
Às 10h54 (horário de Brasília) o bitcoin caía 0,4% em um período de 24 horas, a US$ 63.100 por unidade.
O desempenho das criptomoedas destoa das altas registradas pelos principais índices das bolsas de valores internacionais, em um dia de queda de mais de 5% no preço do petróleo.
Segundo Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da corretora Bitget para América Latina, as criptomoedas não conseguem reagir à melhora do cenário macroeconômico e geopolítico.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que as negociações com o Irã para um novo acordo de paz ou uma atualização do antigo devem começar hoje. A declaração veio após decidir adiar novos ataques contra a nação persa.
“As expectativas de um possível acordo entre EUA e Irã, que poderia aliviar as tensões no Oriente Médio, reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir os preços do petróleo, tendem a favorecer ativos de maior risco. No entanto, até o momento, esse ambiente mais favorável não tem sido suficiente para impulsionar o mercado cripto”, diz Herrera.
Em relatório, a equipe de análise da corretora Bitfinex afirma que a direção do mercado nas próximas semanas dependerá menos dos indicadores de crescimento econômico e mais da capacidade dos compradores de defender a importante faixa de suporte entre US$ 62 mil e US$ 65 mil.
“O bitcoin encerrou julho com valorização de 7,3%, praticamente em linha com sua média histórica no período. No entanto, os fechamentos consecutivos abaixo de US$ 63 mil enfraqueceram o cenário de curto prazo, aumentando as chances de um período mais prolongado de consolidação ou de novas quedas”, argumenta a Bitfinex.
Na sexta-feira, 31, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 265,4 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. O maior alvo da saída de recursos foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 122,7 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o fluxo foi positivo em US$ 9 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 35 para 34 pontos. A queda deixa o sentimento de mercado um pouco mais fundo na zona de prevalência do “medo”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
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