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Bitcoin volta a disparar e ultrapassa US$ 20 mil: é hora de comprar?

Dados de inflação nos Estados Unidos animaram investidores e beneficiam ativos de risco, incluindo as criptomoedas

Bitcoin, a maior criptomoeda do mercado, intensificou um movimento de alta nos últimos dias (Getty Images/Reprodução)

Bitcoin, a maior criptomoeda do mercado, intensificou um movimento de alta nos últimos dias (Getty Images/Reprodução)

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João Pedro Malar

15 de janeiro de 2023, 17h24

O bitcoin, a maior criptomoeda do mercado, intensificou um movimento de alta nos últimos dias e recuperou o patamar dos US$ 20 mil pela primeira vez desde as perdas com a falência da corretora de criptoativos FTX, em novembro de 2022. O movimento representa uma recuperação após um ano difícil para o setor, e já revive um otimismo entre investidores.

Por volta das 15h45 deste sábado, 14, o bitcoin estava cotado a US$ 20.705, de acordo com o site Coingecko. O valor representa uma alta de 7,2% nas últimas 24 horas e de 22,1% acumulado nos últimos sete dias, reforçando a trajetória recente de valorização da criptomoeda.

Craig Erlam, analista de mercado sênior na exchange Oanda, avalia que a marca dos US$ 20 mil “uma vez foi considerada um valor mínimo perturbador, mas agora representa potencialmente um sinal de renascimento" da criptomoeda, que tende a puxar consigo os outros criptoativos para cima.

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Já para a empresa de análises Glassnode, o movimento é "encorajador", mas ainda é preciso manter os pés no chão e ficar atento a algumas métricas que sinalizariam um movimento de alta ainda maior e uma saída do atual mercado de baixa que, até o momento, ainda não apareceram.

A nova recuperação do bitcoin se deveu principalmente a novos dados sobre a economia dos Estados Unidos. A inflação do país em dezembro recuou 0,1%, dentro do esperado pelo mercado, e trouxe otimismo para os investidores ao sinalizar a possibilidade do ciclo de alta de juros no país acabar neste ano.

O cenário é benéfico para ativos de risco como um todo, incluindo as criptomoedas, e o fim das altas de juros é considerada o grande fator que destravaria um novo ciclo de valorização no segmento, com o fim do chamado "inverno cripto" iniciado em 2022.

Em relatório recente, o analista do BTG Pactual Lucas Josa avaliou que o mercado de criptomoedas começou 2023 com um movimento de valorização "animador", conseguindo um nível de "boa recuperação".

"Em relação a inflação no país [Estados Unidos], as surpresas de novembro e dezembro, com números abaixo do projetado, foram bem-vindas, mas ainda não são suficientes para trazer evidências concretas para o comitê de que sua trajetória esteja realmente sob controle", destaca Josa. Ou seja, enquanto uma tendência de alívio na inflação não se confirmar, o bitcoin ainda pode apresentar volatilidade e devolver os ganhos recentes dependendo de novos dados da economia norte-americana.

Mesmo assim, a expectativa de especialistas é que 2023 seja um ano de recuperação para a criptomoeda. À EXAME, Ayron Ferreira, head de análise da Titanium Asset, e Alexandre Ludolf, diretor de investimentos da QR Asset Management, afirmaram que o mais provável atualmente é que o ativo encerre o ano na casa dos US$ 30 mil, o que sinaliza um espaço ainda não concretizado de crescimento.

"Acho que é mais fácil o bitcoin multiplicar por dois do que dividir por dois. Multiplicar seria voltar para metade do caminho que caiu, uns US$ 32 mil, em relação à alta histórica. Em geral, essas voltas no mercado de 50% sempre ocorrem, até se pensar em análises técnicas", observa Ludolf.

Ferreira destaca que, historicamente, o bitcoin nunca teve dois anos consecutivos de queda. Ou seja, o comportamento passado da criptomoeda já aponta para uma mudança em 2023. Ele lembra ainda que o novo ano antecede o halving de 2024, quando a oferta do ativo liberada na mineração é reduzida pela metade.

"Historicamente, anos pré-halving costumam ser de consolidação de preço, lateralidade, para que depois do halving rompa preços, até máximas históricas. Por isso, acredito que vá ter uma lateralização em 2023, com espaço para recuperações", explica.

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