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Bitcoin começa semana em alta e recupera os US$ 63 mil mesmo com incerteza geopolítica

Vendedores não conseguiram derrubar a criptomoeda abaixo dos US$ 62.300, de modo que a lateralização prossegue

 (Reprodução/Reprodução)

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Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 10h57.

Última atualização em 17 de agosto de 2026 às 11h35.

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O bitcoin opera em alta nesta segunda-feira, 17, recuperando os US$ 63 mil depois da queda da semana passada. As criptomoedas operam descorrelacionadas das bolsas de valores internacionais e não reagem às incertezas geopolíticas provocadas pelas notícias da guerra no Irã.

No radar, o acordo de cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã está prestes a expirar sem um acordo definitivo entre as partes. Para piorar, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã, um país aliado, caso tente interferir nas negociações com os iranianos. Teerã tem tido conversas paralelas com os omanenses sobre a rota marítima do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do mundo.

Já no noticiário específico cripto, a maior empresa de capital aberto compradora de bitcoin do mundo, Strategy, anunciou que não comprou nem vendeu nenhum BTC na semana passada. A empresa manteve 840.447 unidades da criptomoeda em sua tesouraria.

Por outro lado, a Strategy vendeu mais US$ 333,7 milhões em ações ordinárias MSTR, diluindo os acionistas, ao mesmo tempo em que recomprou US$ 132 milhões nas ações preferenciais STRC e adicionou US$ 150 milhões às suas reservas em dólares. As MSTR sobem 0,2%, a US$ 93,23, enquanto as STRC operam perto da estabilidade a US$ 94,94 na Nasdaq.

Às 10h46 (horário de Brasília) o bitcoin subia 0,9% em um período de 24 horas, a US$ 63.546 por unidade.

Em relatório, a equipe de análise da Bitfinex afirma que a demanda por bitcoin voltou a ganhar força, mas a recuperação ainda depende de uma melhora no ambiente macroeconômico. “A demanda institucional está se fortalecendo justamente quando dados mais fracos do mercado de trabalho dos EUA reduzem a probabilidade de uma alta de juros em setembro”, destaca a corretora.

Análise técnica do bitcoin

A equipe de análise da consultoria Vault Capital, por sua vez, destaca que a semana passada terminou com um “corpo cheio” vendedor no gráfico do BTC, ou seja, predominância das vendas e, consequentemente, queda no preço do bitcoin do início ao fim do dia. No entanto, a confirmação de rompimento de suporte não veio, mantendo a criptomoeda em uma tendência lateral.

Gráfico do bitcoin na sexta-feira

Gráfico do bitcoin na sexta-feira

“A mínima menor que a anterior, abaixo de US$ 62.300, não veio. Na sexta-feira parou em US$ 62.468 e no domingo encerrou a US$ 532 do gatilho sem tocá-lo. O padrão está armado, e o semanal já mostra de que lado o interesse cresce”, afirma Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.

“Até quando seguimos desenhando topos e fundos mais baixos? Simples: enquanto US$ 65.416, a máxima do início do último movimento, não for rompida, o desenho está vivo”, prevê o especialista.

Gráfico do bitcoin nesta segunda-feira (17/08/2026)

Gráfico do bitcoin nesta segunda-feira (17/08/2026)

Noah Cheung, country manager da corretora Bitget no Brasil, nota que o bitcoin continua abaixo da média móvel exponencial de 50 dias, próxima dos US$ 64.300, uma região de preços que agora atua como resistência.

“O RSI [Índice de Força Relativa] em torno de 44 pontos indica que ainda há espaço para novas quedas antes de o ativo entrar em uma zona de sobrevenda, enquanto o índice MACD [Convergência e Divergência de Médias Móveis] permanece negativo e abaixo da linha de sinal, reforçando a predominância dos vendedores”, afirma o executivo da Bitget.

ETFs têm 3º pregão negativo

Na sexta-feira, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 56,2 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. Este foi o terceiro pregão consecutivo de saída de capital neste tipo de fundo.

O maior alvo do fluxo vendedor foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 55,5 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.

Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas subiu dois pontos, indo de 36 para 38 pontos, mas segue na zona de predominância do “medo”.

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

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