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Vila Madalena para bar, Bom Retiro para moda: veja vocação dos bairros de SP

SuaQuadra criou ferramenta que analisa milhares de imóveis comerciais para indicar os melhores pontos para mais de 50 tipos de negócios

Beco do Batman: Vila Madalena tem forte vocação para lazer (Joel Carillet/Getty Images)

Beco do Batman: Vila Madalena tem forte vocação para lazer (Joel Carillet/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 11h06.

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Escolher o endereço certo pode ser a diferença entre um negócio prosperar ou fechar as portas. Em São Paulo, uma nova ferramenta de inteligência artificial tenta transformar uma decisão tradicionalmente baseada em experiência e feeling em uma análise de dados: identificar quais bairros têm maior aderência para cada tipo de comércio ou serviço.

A startup SuaQuadra, imobiliária comercial especializada em tecnologia, criou uma ferramenta chamada Vocacional, que cruza informações de cerca de 8 mil imóveis comerciais da capital paulista com dados de infraestrutura, perfil demográfico, fluxo de pessoas e características de mais de 50 segmentos de mercado.

A proposta é responder uma pergunta comum entre empreendedores: qual negócio tem mais chance de funcionar naquele ponto?

A ferramenta chega em um momento em que a localização continua sendo um dos principais desafios para novos negócios. Segundo dados do IBGE divulgados pela empresa, 60% dos novos negócios no Brasil fecham em até cinco anos, e a escolha inadequada do ponto comercial aparece entre os fatores associados à mortalidade empresarial.

“Na prática, o empreendedor deixa de buscar por metragem e preço e passa a buscar pelo negócio que quer abrir. O nome faz referência ao teste vocacional, ajudando a descobrir a verdadeira vocação daquele espaço antes de qualquer investimento”, afirma Bruno Bartholi, cofundador e diretor de produtos da SuaQuadra.

O mapa das vocações comerciais de São Paulo

A análise da SuaQuadra mostra que diferentes bairros da capital paulista desenvolveram especializações comerciais ao longo do tempo.

O Bom Retiro, por exemplo, aparece como um dos bairros mais concentrados em um único segmento: 38% dos imóveis são considerados adequados para lojas de roupa, quase dez vezes a média da cidade.

Já a Santa Efigênia se destaca pelo varejo, com 78% dos imóveis apresentando o uso de loja como a vocação comercial mais indicada.

No eixo formado por Itaim Bibi, Brooklin e Vila Olímpia, a predominância é corporativa. No Itaim e no Brooklin, 85% dos imóveis analisados são considerados adequados para escritórios.

Outros bairros também aparecem associados a segmentos específicos. A Vila Madalena tem forte vocação para lazer, com destaque para bares, cuja adequação é 42 vezes superior à média da cidade, segundo o levantamento. A Vila Mariana aparece como uma região favorável para negócios ligados a cuidados, como casas de repouso, spas e clínicas de estética.

Enquanto alguns bairros desenvolveram identidades comerciais mais específicas, outros apresentam uma combinação maior de possibilidades.

Segundo a análise da SuaQuadra, Pinheiros aparece como uma das regiões mais versáteis da cidade, com bons indicadores para restaurantes, coworkings e cafés.

Nos Jardins, a vocação está ligada a negócios associados ao público de maior renda, como cafés e consultórios de padrão elevado. Já o Centro aparece como uma região mais adequada para cafés de passagem, com maior circulação diária.

Na zona leste, o Tatuapé se destaca como um polo ligado ao comércio digital, com vocação para operações de e-commerce 2,69 vezes acima da média da cidade. O Ipiranga combina características logísticas com uma alta concentração de lavanderias.

Entre os bairros mais ligados ao consumo cotidiano, a Mooca aparece como região favorável para mercadinhos, com uma concentração três vezes superior à média, enquanto o Tucuruvi se destaca tanto para mercados quanto para academias.

Segundo a empresa, a inteligência artificial foi treinada com dados de milhares de transações imobiliárias realizadas pela plataforma e passou por validação de executivos de expansão de marcas como Bacio di Latte, Kopenhagen e RD Saúde, além de especialistas do fundo imobiliário HSI.

A tecnologia analisa desde informações do entorno até características físicas dos imóveis, como plantas, imagens internas, acessibilidade e infraestrutura elétrica e hidráulica.

“Para chegar a essa precisão, agentes de inteligência artificial analisam as imagens internas e as plantas dos espaços, levando em conta a disposição física, acessibilidade e infraestrutura do imóvel, e cruzam esses dados com o perfil demográfico e socioeconômico do entorno”, explica Pedro Donato, cofundador e CEO da SuaQuadra.

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