Future of Money

Patrocínio:

Design sem nome (2)
LOGO SENIOR_NEWS

Alta renda amplia exposição a cripto com ETFs e tokenização

Com mais capital institucional e regras claras, criptoativos ganham papel estratégico na gestão patrimonial de alta renda e exigem decisões técnicas em 2026

 (24K-Production/Getty Images)

(24K-Production/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 10h00.

Tudo sobreCriptoativos
Saiba mais

Por Felipe Mendes*

Com mercado mais maduro, 2026 exige estratégia, gestão de risco e visão de longo prazo dos investidores O mercado de criptoativos inicia o próximo ano em um estágio distinto daquele observado nos ciclos anteriores. O que antes era visto como um território predominantemente especulativo passou a ocupar espaço estrutural nas discussões sobre alocação patrimonial, diversificação e eficiência financeira, especialmente entre investidores de alta renda, family offices, estruturas profissionais responsáveis pela gestão do patrimônio de pessoas de classe A, e investidores institucionais.

  • O JEITO FÁCIL E SEGURO DE INVESTIR EM CRYPTO. Na Mynt você negocia em poucos cliques e com a segurança de uma empresa BTG Pactual. Tenha acesso a carteiras recomendadas por especialistas com rebalanceamento automático. Clique aqui para abrir sua conta gratuita.

Esse movimento reflete a maturação do mercado, tanto do ponto de vista tecnológico quanto regulatório, e a integração progressiva dos criptoativos à infraestrutura financeira tradicional. Essa mudança não decorre de um único fator, mas da convergência entre maior clareza regulatória, amadurecimento dos instrumentos financeiros e entrada consistente de capital institucional. Relatórios recentes ajudam a dimensionar esse avanço.

Um levantamento do banco suíço Sygnum com investidores de alta renda na Ásia indica que 87% desses indivíduos já possuem exposição a criptoativos, e 60% pretendem ampliar suas alocações para faixas entre 10% e 20% do portfólio ao longo de 2026. O foco declarado é menos especulativo e mais voltado à preservação patrimonial e à diversificação de longo prazo.

Na mesma linha, uma pesquisa do BNY Mellon com family offices que administram mais de US$ 250 milhões aponta que 74% dessas estruturas já exploram ou investem em ativos digitais. Já um levantamento da EY com investidores institucionais mostra que 59% planejam manter alocações superiores a 5%, enquanto 76% indicam intenção de ampliar a exposição por meio de veículos regulados, como os ETFs, fundos negociados em bolsa que permitem acesso ao bitcoin e a outros ativos digitais dentro de estruturas tradicionais do mercado de capitais.

Esse conjunto de dados sinaliza uma transformação relevante. Para o investidor de alta renda, os ativos deixam de ocupar um papel periférico e passam a exercer uma função estratégica dentro do planejamento patrimonial, ao lado de ações, renda fixa, imóveis e ativos internacionais.

A tendência para o próximo ano aponta para decisões mais técnicas, menos orientadas por movimentos emocionais de curto prazo e cada vez mais integradas à composição tradicional de portfólio. Entre as principais tendências está a consolidação da tokenização de ativos do mundo real, conhecidos como real world assets, que são ativos tradicionais representados digitalmente em blockchain por meio de tokens.

Esse processo permite que ativos como títulos de crédito, imóveis e instrumentos de renda fixa sejam negociados com maior liquidez, transparência e eficiência operacional. Projeções da gestora 21Shares indicam que o mercado de stablecoins e ativos tokenizados pode alcançar US$ 2 trilhões até 2028. As stablecoins, criptoativos lastreados em moedas fiduciárias, como o dólar, funcionam como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto, reduzindo a exposição à volatilidade e facilitando transações.

Para investidores de alta renda, a tokenização reduz custos intermediários, amplia o fracionamento de investimentos e expande o universo de oportunidades antes restritas a grandes instituições. Ao mesmo tempo, as stablecoins deixam de ser apenas instrumentos operacionais e passam a integrar estratégias de gestão de caixa e alocação tática dentro de portfólios mais sofisticados.

Outro vetor central é o avanço da institucionalização por meio dos ETFs e das chamadas tesourarias digitais, estruturas corporativas nas quais empresas e instituições alocam parte de seu caixa diretamente em criptoativos. A Grayscale Research projeta que esses veículos podem absorver parcela relevante da emissão anual de determinados ativos digitais, alterando de forma estrutural a dinâmica de oferta e demanda.

O acesso regulado amplia a participação institucional e reforça a legitimidade do mercado, ao mesmo tempo em que contribui para a redução da volatilidade estrutural. Nesse ambiente mais maduro, a análise de risco e retorno também evolui.

A avaliação deixa de se apoiar exclusivamente em movimentos de preço e passa a incorporar fundamentos como liquidez, nível de adoção e comportamento do capital institucional, elementos cada vez mais relevantes para decisões patrimoniais de longo prazo. O cenário macroeconômico global influencia de maneira preponderante nas expectativas para os próximos meses.

A possibilidade de maior liquidez internacional, combinada a ajustes na política monetária das principais economias, tende a favorecer ativos escassos e descentralizados. Em contextos de juros mais baixos, cresce o interesse por alternativas ao sistema financeiro tradicional, especialmente entre investidores que buscam proteção patrimonial e diversificação no longo prazo.

Para a alta renda, o desafio não será apenas escolher ativos, mas interpretar corretamente métricas on chain, que são dados públicos registrados diretamente nas blockchains como exemplo: volume de transações, número de endereços ativos, movimentações de grandes carteiras. Compilando essas informações de maneira tática para focar em eficiência de capital com estratégias estruturadas com metodologia e mitigação de riscos. Somados aos avanços regulatórios observados em mercados como Estados Unidos, Singapura e Hong Kong, esses indicadores ajudam a identificar o grau real de adoção do mercado.

O que se desenha não é um mercado mais simples, mas um mercado mais profissional, no qual os criptoativos passam a integrar de forma definitiva as estratégias de preservação, crescimento e sucessão patrimonial.

*Felipe Mendes é fundador da Altside, consultoria estratégica especializada em investimentos com foco na integração de criptoativos ao planejamento patrimonial de longo prazo.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube  Tik Tok  

Acompanhe tudo sobre:CriptoativosCriptomoedasETFs

Mais de Future of Money

Morgan Stanley irá lançar carteira digital para ativos tokenizados

Donald Trump diz que não dará perdão presidencial a ex-CEO da FTX

Bitcoin pode repetir rali que gerou recordes de preço em 2025

Governo do Ceará vai investir em infraestrutura para mineração de bitcoin