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Redação Exame
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 09h30.
O bitcoin despencou na última semana, chegando a custar US$ 60 mil, uma queda de cerca de 50% desde sua máxima histórica registrada em agosto de 2025. O movimento não foi provocado por um único evento crítico, como já ocorreu em outros ciclos do mercado cripto, mas por uma combinação de fatores que atingiram o ativo ao mesmo tempo.
Segundo Matthew Sigel, chefe de pesquisa em ativos digitais da gestora VanEck, o atual recuo reflete um mercado sendo pressionado por vários lados, com desalavancagem, vendas de mineradores, frustração com a tese de inteligência artificial, preocupações de governança, riscos tecnológicos e a própria psicologia dos ciclos do bitcoin.
“O crash do preço não foi disparado por um evento catastrófico único. Isso torna mais difícil identificar um fundo, mas também pode criar uma base mais limpa para a recuperação”, afirmou Sigel.
A seguir, os cinco principais motivos por trás da queda do bitcoin, segundo o especialista.
O primeiro fator é a forte redução do uso de alavancagem. O open interest dos contratos futuros de bitcoin caiu para cerca de US$ 49 bilhões, ante aproximadamente US$ 61 bilhões uma semana antes, uma retração superior a 20%, segundo dados da Coinglass.
Esse indicador mostra quanto capital emprestado está apostando nos movimentos do preço. Quando ele cai, significa que investidores estão reduzindo risco. No início de outubro, o open interest chegou a superar US$ 90 bilhões, o que indica que o mercado já eliminou mais de 45% da alavancagem de pico.
A queda do preço acompanhou esse movimento, sugerindo um processo de ajuste mais organizado, e não um colapso causado por liquidações em cascata. Mesmo assim, na última semana houve entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões em liquidações, sendo cerca de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões concentrados em futuros de bitcoin.
Outro fator vem do enfraquecimento da narrativa de inteligência artificial. Investidores passaram a questionar se empresas como OpenAI e grandes provedores de nuvem conseguirão monetizar os bilhões investidos em infraestrutura.
Essa mudança afetou diretamente mineradoras de bitcoin que haviam apostado em migrar parte de suas operações para IA e computação de alto desempenho. Com o financiamento mais caro e o preço do bitcoin em queda, muitas foram forçadas a vender reservas para levantar caixa.
“Com o aperto das condições financeiras junto da fraqueza do bitcoin, os mineradores enfrentaram mais pressão para vender BTC e reforçar seus balanços, adicionando oferta em um momento frágil do mercado”, escreveu Sigel.
O problema é que essas vendas ocorrem justamente quando a própria tese de IA começa a parecer menos sólida.
Questões de transparência também voltaram ao radar. O projeto World Liberty Finance, ligado à família Trump, reacendeu debates sobre governança após a venda de uma fatia relevante para investidores associados aos Emirados Árabes.
Um relatório do Wall Street Journal apontou que quase metade do projeto foi vendida por cerca de US$ 500 milhões a um membro da família real de Abu Dhabi no início de 2025. Para Sigel, episódios assim aumentam a percepção de risco institucional.
“Ironicamente, são exatamente esses tipos de questões que a Clarity Act tenta resolver ao padronizar divulgação e relatórios, reduzindo incertezas e melhorando a confiança do mercado”, escreveu.
O avanço da computação quântica também entrou no debate. O temor é que máquinas muito mais poderosas no futuro consigam quebrar os modelos de criptografia usados pelo bitcoin.
Segundo Sigel, o tema passou a ser discutido com mais intensidade entre investidores e desenvolvedores. Um relatório da Chaincode Labs estima que entre 20% e 50% das moedas em circulação poderiam estar em risco em um cenário extremo.
Embora desenvolvedores do Bitcoin Core minimizem a urgência, o assunto adiciona mais uma camada de incerteza ao momento do mercado.
Por fim, pesa a própria dinâmica histórica do bitcoin. A cada quatro anos, o halving reduz a emissão de novas moedas, costuma impulsionar preços e, depois, abre espaço para realização de lucros e correções.
“O ciclo de quatro anos continua sendo uma referência importante para a psicologia dos investidores”, afirmou Sigel. O caminho entre topo e fundo, porém, raramente é linear, e costuma ter ralis intermediários antes de uma tendência mais clara.
Apesar do cenário negativo, Sigel vê oportunidade. “A profundidade da correção e o reset da alavancagem tornaram o nível atual cada vez mais atraente para montar posições com visão de um a dois anos”, escreveu.
“Eu estou comprando bitcoin à vista hoje.”
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