Lance da partida entre Pumas e Cincinnati pela Leagues Cup (Reprodução Instagram)
Repórter
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 16h37.
O lobby pelo retorno de clubes da América do Norte à Copa Libertadores ganhou força nesta semana. Em coletiva de imprensa, o presidente da Liga MX, Francisco Iturbide, revelou ter feito um pedido formal à Concacaf e à Fifa. O dirigente busca garantir vagas como convidados para equipes mexicanas tanto na Libertadores quanto na Copa Sul-Americana.
Apesar do esforço, a Fifa rejeitou a solicitação inicial para vetar times de fora da Conmebol na competição. A entidade máxima do futebol tenta barrar clubes de confederações diferentes em um mesmo torneio continental. Iturbide, porém, garantiu que manterá a insistência por ver um precedente nas competições de seleções, como a presença do próprio México na Copa América.
O plano da Liga MX foca em elevar o nível técnico dos seus times por meio de confrontos de maior exigência física e tática. Fora dos torneios sul-americanos desde 2016, quando Pumas e Toluca atuaram na Libertadores, os mexicanos tentam superar os antigos problemas de calendário que causaram a ruptura.
"É um mercado muito forte economicamente. Acredito que a volta dos clubes mexicanos valoriza ainda mais as competições sul-americanas. Historicamente, é um mercado que observa atentamente o futebol brasileiro, com a consolidação de jogadores e treinadores. A questão logística é um ponto de atenção, mas que pode ser resolvido pela Conmebol, já que os brasileiros enfrentam longos deslocamentos para jogar no interior do Equador e da Colômbia, por exemplo", analisa Rui Costa, diretor executivo de futebol, com passagens por São Paulo, Grêmio, Atlético-MG, Chapecoense e Athletico-PR.
Em janeiro deste ano, também aconteceu um movimento que envolveu os times dos EUA, por meio de declarações de Jorge Mas, um dos donos do Inter Miami, time do craque Messi. Na ocasião, o empresário revelou que teve uma conversa com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, sobre a possibilidade dos campeões dos Estados Unidos e do México participarem do torneio sul-americano.
Economicamente falando, seria rentável para a Conmebol que os times dos EUA e do México participassem do torneio. As equipes mexicanas são consideradas as mais ricas do continente e mudaram seus modelos de negócio. Atualmente, elas têm um valor de mercado considerado de alto padrão, que chegam perto dos US$ 3 bilhões em valor total, de acordo com dados da último temporada divulgados pela plataforma ‘El Míster’.
“Se isso acontecer, o impacto econômico para a Libertadores pode ser muito relevante. A entrada de clubes mexicanos e americanos significa incorporar ao torneio mercados com uma capacidade financeira muito maior, aumentando o potencial de geração e distribuição de receitas. Isso pode elevar o valor econômico da competição e, consequentemente, o dinheiro que chega aos clubes. Para as equipes sul-americanas, o efeito também pode ser positivo, porque uma competição mais valorizada significa maior capacidade de investimento, aumento do valor dos ativos e possibilidade de formar elencos mais competitivos. No longo prazo, é um movimento que pode mudar a própria dimensão econômica da Libertadores,” afirma Moises Assayag, especialista em finanças no futebol e sócio diretor da Channel Associados
“Do ponto de vista de negócios e marketing, a entrada de clubes dos EUA e do México na Libertadores elevaria a competição a um patamar completamente diferente, transformando o produto em uma propriedade ainda maior, com impacto direto na valorização dos direitos de transmissão, na atração de patrocinadores globais e na geração de novas receitas comerciais. O alcance de marca, a audiência internacional e o interesse de mercados seriam exponencialmente maiores do que hoje, abrindo espaço para acordos mais robustos em mídia, ativações e licenciamento, enquanto os desafios logísticos e de distância, embora relevantes, não seriam um impeditivo real, já que ligas e competições globais já operam com fusos, viagens longas e calendários complexos, desde que haja planejamento, investimento em infraestrutura e adequações no formato do torneio", analisa Bruno Brum, CMO da Agência End to End.
Algo inegável é que o México sempre foi ousado financeiramente. Por lá, as equipes são privadas e contam com milhões para investimentos. Essa força monetária é evidenciada nas contratações - atualmente, são mais de 250 atletas estrangeiros atuando no país - mais do que o dobro do Campeonato Brasileiro, sendo que a maioria deles são sul-americanos, assim como no Brasil.
"O futebol sempre foi o esporte mais popular no México e a economia do país cresceu muito nas últimas décadas. Além disso, muito mexicanos enriqueceram nos Estados Unidos, gerando grande audiência por lá, sem contar que a maioria dos seus grandes clubes é parte de um conjunto de propriedades de grandes empresas, e já vem sendo administrados de forma profissional faz tempo", explica Renato Martinez, vice-presidente da Roc Nation Sports.
Para Joaquim Lo Prete, general manager da Absolut Sport no Brasil, agência parceira da Conmebol desde 2022, uma eventual presença de clubes da América do Norte na Libertadores representaria um salto estratégico para a competição no campo dos negócios.
"Estamos falando de acesso direto a dois mercados relevantes em termos de consumo esportivo e que contam com marcas globais e poder de investimento. A entrada de clubes desses países ampliaria a exposição internacional do torneio, atrairia patrocinadores multinacionais que hoje ainda não olham a Libertadores como prioridade e abriria novas frentes de receita em direitos comerciais, ativações, hospitalidade e turismo esportivo”, comenta.
O executivo, que trabalha diretamente com a logística dessas viagens, reconhece que essa questão da distância para os dois países é um desafio real, mas está longe de ser um impeditivo.
"O futebol já opera em uma lógica global, com competições que envolvem longos deslocamentos, fusos horários e calendários complexos. Com planejamento, investimento em infraestrutura, ajustes de calendário e coordenação entre confederações e clubes, esses obstáculos podem ser administrados. Do ponto de vista operacional e comercial, os ganhos superam os desafios", diz.
Desde a edição de 2017 a Libertadores não conta com os mexicanos. Os clubes da América do Norte não concordaram com algumas mudanças da Conmebol, como a extensão do torneio até dezembro e a distribuição de vagas.
Segundo Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, a entrada de clubes dos Estados Unidos e do México amplia o interesse da Libertadores na América do Norte. "Coloca a competição em diálogo com o maior mercado de mídia do mundo e abre grandes oportunidades comerciais, mas também a insere em um ambiente altamente competitivo, com ligas consolidadas, um esporte universitário muito forte e um futebol em crescimento que disputa atenção e investimento.”
"Com o Inter Miami, a competição ganha o ativo 'Messi', que pode atrair olhares e marcas de mercados onde a Conmebol ainda tem pouca penetração. O impacto poderia ser bem superior ao atual. A distância geográfica é um desafio real, mas superável diante da oportunidade de internacionalizar a marca e multiplicar receitas de TV e patrocínios", diz Thales Rangel Mafia, Gerente de Marketing da Multimarcas Consórcios,