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O que a saída de Casares significa para a crise no São Paulo

Expulsão de ex-presidente do quadro associativo sela período de profunda turbulência política e obriga o clube a reestruturar sua governança interna.

Ex-presidente do São Paulo, Julio Casares foi expulso do clube. (Foto: SPFC) (SPFC)

Ex-presidente do São Paulo, Julio Casares foi expulso do clube. (Foto: SPFC) (SPFC)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 20h13.

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A expulsão de Júlio Casares do quadro associativo do São Paulo Futebol Clube, aprovada por expressivos 223 votos a cinco no Conselho Deliberativo, representa um marco na história política recente da instituição.

O desfecho sela o ocaso de uma gestão que comandou o clube de janeiro de 2021 a janeiro de 2026. Embora o período tenha sido coroado por importantes conquistas esportivas dentro das quatro linhas — como a inédita Copa do Brasil, o Campeonato Paulista e a Supercopa Rei —, a administração acumulou questionamentos nos bastidores.

A queda do ex-dirigente começou a se desenhar no início de 2026, quando o Conselho Deliberativo aprovou seu impeachment e afastamento da presidência em meio a denúncias de comercialização irregular de camarotes no Estádio do Morumbis.

O escândalo do camarote clandestino também respingou em outros nomes da cúpula anterior, resultando em punições severas e expulsões de associados ligados ao esquema. Com a saída formalizada nesta quinta-feira, o clube tenta estancar uma sangria reputacional.

Relatório expõe saques e gastos milionários no cartão corporativo

O rigor na votação do Conselho Deliberativo foi impulsionado pelo relatório elaborado pela Comissão de Ética do clube. O documento esmiuçou um rombo administrativo estimado em cerca de R$ 7 milhões em saques realizados das contas da instituição sem a devida apresentação de origem, finalidade ou destino. Os conselheiros enquadraram a conduta do ex-presidente no Artigo 34 do Estatuto Social, que pune atos de gestão temerária ou irregular.

Além das retiradas em espécie, o inquérito administrativo jogou luz sobre o uso do cartão corporativo do clube. O relatório listou dezenas de pagamentos em restaurantes badalados da capital paulista — com destaque para passagens recorrentes em uma tradicional charutaria e em bistrôs sofisticados —, além de gastos com estética, serviços médicos, despesas pessoais em petshops e aquisição de medicamentos.

A defesa do ex-presidente tentou barrar o avanço do processo administrativo, mas esbarrou nas travas estatutárias do clube, que proíbem a renúncia ou desfiliação voluntária enquanto houver apurações disciplinares em curso.

A Comissão de Ética recomendou ainda a aplicação de sanções financeiras adicionais, exigindo que Casares indenize os cofres são-paulinos pelos danos materiais causados, cujos valores exatos seguem em apuração pelos departamentos competentes.

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