Kawhi Leonard está na mira de ex-colegas da NBA por causa do imbróglio com os Clippers. (Lachlan Cunningham/Getty Images) (Lachlan Cunningham/Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 05h02.
RESUMO | O ex-jogador Danilo Gallinari criticou duramente a punição aplicada a Kawhi Leonard na investigação de contorno do teto salarial (salary cap) do Los Angeles Clippers. Em seu podcast A Cresta Alta, Gallinari afirmou que o astro deveria devolver cada centavo recebido em acordos de patrocínio irregulares, argumentando que a manobra para trazer Leonard à equipe o afetou diretamente ao resultar em sua troca para o Oklahoma City Thunder em 2019.
O veterano ala italiano Danilo Gallinari não economizou palavras ao comentar o escândalo financeiro que abalou os bastidores da liga norte-americana de basquete. Afastado da franquia californiana para abrir espaço salarial e de ativos na troca que levou Paul George e o próprio Kawhi Leonard aos Clippers em 2019, o ex-jogador de 14 temporadas na liga cobrou que o astro arque com restituições financeiras severas. Segundo Gallinari, a simples multa individual aplicada pela NBA é totalmente insuficiente diante do impacto direto causado em sua trajetória profissional, na dinâmica de mercado da época e no planejamento de carreira de outros atletas que acabaram pagando o preço pelas manobras de bastidor da equipe.
Durante o episódio recente de seu podcast, o ex-atleta detalhou o sentimento de frustração ao ver sua saída de Los Angeles ser ditada não por critérios estritamente técnicos de diretores ou gestores esportivos tradicionais, mas sim pelas exigências contratuais paralelas de um jogador estrela. Embora Gallinari tenha reconhecido que sua passagem posterior pelo Thunder foi positiva sob o aspecto esportivo, ele enfatizou que o efeito dominó gerado pela chegada de Leonard desestruturou o planejamento de elenco da franquia, culminando em trocas em massa que afetaram múltiplos profissionais ao longo das temporadas seguintes.
A investigação conduzida de forma externa revelou que Leonard, através de seu representante e tio Dennis Robertson, pressionou ativamente a diretoria dos Clippers para obter vantagens em "oportunidades de renda fora de quadra", o que incluiu contratos milionários com empresas parceiras da franquia. Entre os acordos apontados no relatório estão contratos de patrocínio de longo prazo com companhias como a falida Aspiration, Boingo, Daktronics e Lockton Insurance. Enquanto Gallinari defende publicamente que tais valores milionários sejam devolvidos e integralmente doados para instituições de caridade como forma de reparação moral, o caso escancara as profundas feridas deixadas pela engenharia financeira montada pelo time californiano para tentar dominar a Conferência Oeste.
A revolta pública expressada por Danilo Gallinari joga luz sobre o impacto que investigações sobre o teto salarial costumam gerar nos bastidores da NBA. O ex-ala titular relembrou que a reestruturação radical do elenco dos Clippers em 2019 — que abriu as portas para Leonard mediante a entrega de uma enorme pilha de escolhas de Draft e jovens talentos como Shai Gilgeous-Alexander ao Oklahoma City Thunder — foi o ápice de um planejamento agressivo que sacrificou peças importantes. Para Gallinari, o fato de Leonard ter lucrado através de acordos corporativos paralelos enquanto companheiros de equipe eram negociados sem aviso prévio torna moralmente indispensável que o atleta devolva os valores recebidos e arque com as consequências institucionais de suas exigências contratuais de bastidor.
Segundo o The Athletic, a polêmica envolvendo Kawhi Leonard e a antiga estrutura administrativa dos Clippers culminou em uma das sanções mais pesadas e sem precedentes de toda a história da NBA. Após uma investigação externa de meses conduzida pelo escritório de advocacia Wachtell, Lipton, Rosen & Katz, a liga concluiu que a franquia violou de forma sistêmica as regras do teto salarial ao intermediar e facilitar patrocínios corporativos ocultos para o atleta. Como consequência direta do relatório que apontou múltiplas infrações e pagamento de despesas pessoais de representantes do jogador, os Clippers perderão cinco escolhas de primeira rodada de Draft e foram multados em US$ 30 milhões — o equivalente a cerca de R$ 154 milhões na cotação atual, configurando a maior penalidade financeira já aplicada na história da competição —, além de ficarem submetidos a um rigoroso programa de monitoramento e conformidade institucional por cinco anos.
O impacto da punição também atingiu o topo da cadeia corporativa e técnica da organização. O proprietário bilionário da franquia, Steve Ballmer, foi suspenso por um ano de suas funções oficiais ligadas à gestão da liga, enquanto diversos executivos do alto escalão receberam suspensões severas. O ex-empresário de Leonard, Dennis Robertson, foi banido de qualquer relação comercial com equipes da NBA ou afiliadas pelo período de cinco anos, e negociações de mercado em andamento envolvendo o ala — como conversas preliminares para uma transferência rumo ao Toronto Raptors — foram imediatamente congeladas pela liga até a conclusão do processo investigativo.
De acordo com o The Athletic, reação da franquia e dos envolvidos evidenciou um racha institucional sem precedentes. Enquanto Kawhi Leonard emitiu comunicado público assumindo responsabilidade por falhas de julgamento de seu círculo próximo, mas alegou desconhecimento sobre ter burlado os regulamentos e recebeu uma multa individual de US$ 700 mil (aproximadamente R$ 3,6 milhões), a diretoria dos Clippers adotou tom de hostilidade contra a liga. Em nota oficial, o clube rejeitou categoricamente as conclusões da apuração, classificando-a como "extremamente enviesada" e montada para sustentar uma narrativa pré-estabelecida. Os Clippers destacaram que as informações divulgadas publicamente pela NBA divergem frontalmente do que havia sido comunicado de forma privada durante o processo, prometendo contestar rigorosamente todas as penalidades por meio de instâncias de arbitragem independentes.
O ex-jogador afirmou em seu podcast que Leonard deveria devolver integralmente todo o dinheiro recebido em patrocínios irregulares e destiná-lo à caridade, cobrando reparação pelo impacto da troca de 2019 que o tirou dos Clippers.
A franquia foi multada em US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 154 milhões, recorde histórico), perdeu cinco escolhas de primeira rodada de Draft e ficará sob monitoramento especial por cinco anos.
O proprietário dos Clippers, Steve Ballmer, foi suspenso por um ano, e vários executivos da equipe também receberam punições de afastamento.
Leonard recebeu uma multa individual de US$ 700 mil (cerca de R$ 3,6 milhões), mas não foi suspenso pela liga. Seu ex-empresário, Dennis Robertson, foi banido de negócios com a NBA por cinco anos.
A franquia rejeitou publicamente as conclusões da investigação, alegando que o relatório foi enviesado e que há divergências entre o comunicado público e o que foi tratado em âmbito privado, prometendo recurso jurídico.