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Ferrari 1997 de Michael Jordan é vendida por mais de R$ 14 milhões em leilão nos EUA

O valor alcançado estabelece um novo recorde histórico para modelos desse tipo, consolidando o forte apelo dos itens associados à lenda do Chicago Bulls no mercado de colecionáveis de luxo.

A Ferrari 550 Maranello personalizada de Michael Jordan posicionada diante do portão com o número 23 de sua antiga propriedade em Illinois (Crédito: Joopiter / Divulgação).

A Ferrari 550 Maranello personalizada de Michael Jordan posicionada diante do portão com o número 23 de sua antiga propriedade em Illinois (Crédito: Joopiter / Divulgação).

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 4 de outubro de 2026 às 07h00.

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RESUMO | Uma Ferrari 550 Maranello vermelha de 1997, personalizada para Michael Jordan e pilotada pelo astro após o título da NBA de 1997, foi vendida por US$ 2,7 milhões em um leilão realizado pela Joopiter, superando em mais do que o dobro a estimativa inicial de mercado.


O mercado de veículos de luxo registrou um marco histórico.

Uma Ferrari 550 Maranello 1997 que pertenceu originalmente a Michael Jordan foi arrematada por US$ 2,7 milhões (aproximadamente R$ 14,8 milhões).

Segundo o The Athletic, o valor final superou com folga a estimativa pré-leilão, que projetava cifras entre US$ 700 mil (cerca de R$ 3,8 milhões) e US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 7,1 milhões). O montante alcançado representou quatro vezes o recorde anterior de preço pago por uma Ferrari 550 Maranello, segundo informações da Joopiter.

História do veículo e o legado dos anos 1990

Jordan adquiriu o automóvel em 1997, ganhando enorme projeção pública quando foi visto dirigindo o modelo logo após o Jogo 6 das Finais da NBA de 1997, ocasião em que o Chicago Bulls conquistou o quinto de seus seis campeonatos na década.

Além do impacto cultural, o design do carro serviu de inspiração direta para a criação do icônico tênis Air Jordan 14.

De acordo com o The Athletic, o veículo permaneceu fora do alcance do público por mais de duas décadas até ser redescoberto. John Temerian, cofundador da empresa de preservação de carros clássicos Curated, adquiriu o automóvel em maio de um proprietário de longo prazo na Califórnia.

Temerian comprou a máquina — que possui um banco do motorista personalizado para acomodar os 1,98 m de altura da lenda do basquete e uma placa de Illinois com os dizeres "MJ 5" — à vista, após uma década de buscas. Jordan rodou 6.400 milhas (cerca de 10.300 quilômetros) no hodômetro antes de vender o carro em dezembro de 2002.

A febre dos leilões de Michael Jordan

A venda da Ferrari ocorreu apenas um dia após outro item histórico ligado ao ex-jogador atingir cifras astronômicas. A camisa do Chicago Bulls utilizada por Jordan no Jogo 3 das Finais da NBA de 1998 — a famosa temporada documentada em The Last Dance — foi arrematada por US$ 12,26 milhões (cerca de R$ 67,2 milhões) em um leilão da própria Joopiter, estabelecendo um recorde público para uma camisa de jogo da NBA. ]

Para se ter dimensão do valor, a peça superou o preço de venda da antiga mansão de 32 mil pés quadrados de Jordan em Highland Park, Illinois (com o número 23 no portão principal), que foi comercializada por US$ 9,5 milhões (aproximadamente R$ 52,1 milhões) em 2024.

Apesar dos valores impressionantes dos veículos e uniformes, o topo do mercado de colecionadores de Michael Jordan continua pertencendo a um cartão esportivo: um exemplar único (one-of-one) de 2007-08 da Upper Deck Exquisite dual NBA Logoman patch autograph, assinado em conjunto com Kobe Bryant, foi vendido por US$ 12,9 milhões (cerca de R$ 70,7 milhões) em agosto de 2025 pela Heritage Auctions, consagrando-se como o card esportivo mais caro já vendido publicamente.

O boom nos leilões de itens esportivos

O mercado global de itens esportivos colecionáveis — que engloba leilões de alto padrão, cards de jogadores e relíquias efetivamente utilizadas em partidas oficiais — consolidou-se como um dos setores de maior dinamismo e liquidez financeira no mundo. Os Estados Unidos posicionam-se como o líder absoluto e o principal motor dessa engrenagem comercial, transformando o que antes era visto como um passatempo tradicional de torcedores em uma classe robusta de ativos alternativos e investimentos de longo prazo.

De acordo com o relatório mais recente da Dataintelo com dados consolidados para 2025, o raio-x financeiro desse ecossistema revela uma movimentação colossal:

  • Faturamento na América do Norte: A região (liderada de forma hegemônica pelos Estados Unidos) responde por 42,3% do mercado global. Isso significa que o mercado norte-americano movimenta aproximadamente US$ 14,6 bilhões por ano (cerca de R$ 80,4 bilhões), de um total mundial avaliado em US$ 34,6 bilhões (cerca de R$ 190,6 bilhões) em 2025.
  • O peso das casas de leilão: No ecossistema de distribuição, as principais casas especializadas (como Goldin, Heritage Auctions, Sotheby's e Christie's) respondem por 28,4% de todas as transações, dividindo espaço com o comércio eletrônico (43,8%) e as lojas físicas especializadas (21,3%).

Os pilares de consumo e os esportes mais valiosos

O apetite dos colecionadores e investidores de alto patrimônio sustenta-se em três grandes frentes de produtos, segundo dados de mercado da Fortune Business Insights:

  • Trading cards (31,4% do mercado): Os tradicionais cards esportivos lideram o volume financeiro. Sozinho, o setor global de cards foi avaliado em US$ 13,75 bilhões (cerca de R$ 75,8 bilhões) em 2025, impulsionado por cartas em condição perfeita (grau PSA 10) que alcançam cifras milionárias.
  • Itens autografados (27,3% do mercado): Engloba bolas, fotografias, pôsteres e uniformes com assinaturas devidamente certificadas.
  • Itens usados em partidas (18,6% do mercado): Peças utilizadas em quadras e campos — como camisas suadas de finais históricas e tênis icônicos —, que atraem investidores institucionais por sua raridade e potencial de valorização.
  • Geograficamente, a preferência do consumidor norte-americano dita a liderança financeira por modalidade: o Futebol Americano (NFL) lidera com 28,4% do mercado, seguido de perto pelo Beisebol (MLB) com 22,7% e pelo Basquete (NBA) com 18,9%.

A profissionalização do setor como ativo financeiro

Segundo o The Ahtletic, a guinada de hobby para investimento institucional foi catalisada por dois fatores cruciais: a implementação de padrões rígidos de autenticação e certificação de estado de conservação (conhecidos como grading por empresas como PSA e BGS) e a consolidação corporativa do setor. Gigantes do setor, como a Fanatics, passaram a unificar o ecossistema adquirindo licenças exclusivas, marcas de leilão e empresas de cards, garantindo segurança jurídica e rastreabilidade para transações que hoje competem diretamente com o mercado de obras de arte e carros clássicos de luxo.


Por quanto foi vendida a Ferrari de Michael Jordan?

O veículo foi arrematado por US$ 2,7 milhões (aproximadamente R$ 14,8 milhões) em leilão realizado pela Joopiter.

Qual é a história do carro?

Trata-se de uma Ferrari 550 Maranello 1997 personalizada para acomodar a altura de Michael Jordan, famosa por ter sido dirigida pelo atleta após as Finais da NBA de 1997 e por inspirar o design do tênis Air Jordan 14.

Quem comprou o carro originalmente e quem o encontrou?

Jordan comprou o veículo novo em 1997 e o vendeu em 2002. Após duas décadas desaparecido, foi rastreado e adquirido pelo colecionador John Temerian em maio.

Quais outros itens recentes de Jordan bateram recordes?

Uma camisa usada pelo astro nas Finais da NBA de 1998 foi vendida recentemente por US$ 12,26 milhões (cerca de R$ 67,2 milhões).

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