Esporte

Com a Lei de Incentivo, esporte decolou em 2025. O desafio agora é a reforma tributária

Permanência da Lei de Incentivo e ampliação do Bolsa Atleta convivem com riscos fiscais

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 16h22.

Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 16h23.

Tudo sobreEsportes
Saiba mais

O ano de 2025 foi encerrado com avanços relevantes nas políticas públicas voltadas ao esporte no Brasil, com destaque para a transformação da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) em uma política permanente e para o recorde no número de beneficiários do programa Bolsa Atleta — no ano passado, foram contemplados 9.207 atletas, segundo o Ministério do Esporte.

As mudanças na LIE, embora celebradas, introduzem incertezas relacionadas ao impacto da reforma tributária nos próximos anos.

A LIE, considerada uma das principais ferramentas de financiamento para projetos esportivos e paradesportivos no país, passou a ter vigência permanente a partir da sanção do Projeto de Lei Complementar (PLP) 234/2024. Até então, sua continuidade dependia de aprovação dentro da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a cada cinco anos, com a próxima análise prevista para 2027.

Com a mudança, a LIE deixa de depender da LDO, afastando o risco de ser descontinuada em cenários de "déficit primário", quando as despesas superam a arrecadação do governo.

“Fui o autor do primeiro projeto de Lei de Incentivo ao Esporte do Brasil, em 2007, pelo Esporte Clube Pinheiros, quando o Ministério nem havia montado estrutura para protocolo, de lá pra cá fiz parte da Comissão de Aprovação Estadual em São Paulo e já ministrei diversos cursos para treinar aqueles que desejavam elaborar projetos. Assim, entendo que transformar a Lei de Incentivo ao Esporte em uma política permanente foi um avanço relevante e traz finalmente segurança jurídica para projetos que dependem do aporte federal”, explica Cristiano Caús, advogado especializado em direito esportivo e sócio da CCLA Advogados.

Segundo Vanessa Pires, CEO da Brada, empresa voltada à viabilização de projetos via incentivo fiscal, a permanência da LIE fortalece setores com menor visibilidade, como a iniciação esportiva e o esporte educacional.

“A alteração da Lei de Incentivo ao Esporte, tornando-a permanente, fortalece áreas frequentemente negligenciadas, como esporte educacional, iniciação esportiva e programas de base, o que amplia o impacto social e forma, além de atletas, cidadãos”.

Novos marcos no Bolsa Atleta e em captação

O programa Bolsa Atleta registrou em 2025 o maior número de beneficiários desde sua criação, em 2005: foram 9.207 atletas apoiados, um crescimento de 5,36% em relação ao ano anterior.

A LIE também obteve resultados expressivos em 2025, com captação superior a R$ 1 bilhão, viabilizando 6.664 projetos. Os dados são do Ministério do Esporte, responsável pela execução e repasse dos recursos.

“É extremamente positivo ver tantos esportistas beneficiados pela Lei de Incentivo ao Esporte, um projeto importantíssimo que proporciona recursos e melhores condições para os atletas se desenvolverem. A iniciativa, aliada ao trabalho realizado pelos clubes, gera resultados positivos para o esporte brasileiro”, avalia Paulo Maciel, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC).

Reforma tributária cria cenário incerto

Embora a transformação da LIE em política permanente represente uma conquista no nível federal, os efeitos da reforma tributária impõem novos desafios nas esferas estadual e municipal. A substituição dos tributos ICMS e ISS pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com implementação gradual até 2033, deve impactar diretamente os incentivos fiscais regionais.

O IBS, ao contrário dos tributos atuais, limita a concessão de benefícios fiscais, com exceções previstas apenas por emendas constitucionais.

“A Lei de Incentivo ao Esporte representa o principal meio de captação de recursos via benefícios fiscais, sendo essencial para inúmeros projetos sociais esportivos sem fins lucrativos. Destaco a necessidade de uma análise cuidadosa sobre o impacto da retirada desses impostos durante o período de transição da reforma tributária”, aponta Vanessa Pires.

Durante o período de transição, os estados e municípios ainda poderão aplicar incentivos fiscais vinculados ao ICMS e ISS. Porém, a substituição definitiva desses tributos levanta incertezas sobre a continuidade dos aportes em médio e longo prazo.

Cristiano Caús também apontou esse risco: “O cenário, nos níveis estadual e municipal, ainda é incerto, especialmente diante da substituição do ICMS e do ISS pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços. Como o IBS não admite benefícios fiscais nos moldes atuais, existe um risco concreto de que a porta de entrada para o financiamento esportivo via incentivo se estreite no futuro. Assim como em outras leis esportivas, concentrar o investimento no topo da pirâmide ou nas entidades que mais têm acesso a patrocínio prejudica a formação esportiva do país. Portanto, o desafio agora é construir, ainda durante a transição tributária, mecanismos que garantam a distribuição das receitas entre projetos estaduais, municipais e, especialmente, de iniciação esportiva",

A nova Lei de Incentivo ao Esporte, sancionada em novembro, passou a valer por meio da Lei Complementar 222. O orçamento do Ministério do Esporte para 2026, conforme previsto no PLN 15/25, será ampliado em 63%, passando de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,8 bilhão com a inclusão de emendas parlamentares. O novo valor representa um aumento expressivo nos recursos disponíveis para o setor esportivo federal.

Acompanhe tudo sobre:EsportesReforma tributáriaImpostosICMS

Mais de Esporte

Com Palmeiras x São Paulo e Fla x Flu, fim de semana é de clássicos

Escalação do Palmeiras contra o São Paulo: time provável e novidades

Jogos de hoje, sábado, 24 de janeiro, onde assistir ao vivo e horários

Villarreal x Real Madrid: onde assistir e horário pela La Liga